Quarta-feira, 3 de Setembro de 2008

A COMUNICAÇÃO

 

Por: Alfredo Nobre

 

 

 

NOTA INTRODUTÓRIA
No Passado fim-de-semana, ao escrever esta crónica, longe estava eu da sua actualidade. Se tiveram o cuidado de ler com atenção o post anterior sobre um pedido nosso de desculpas ao Moto Clube Águias do Agreste de Sobral do Monte Agraço, poderão verificar que em tudo serve de exemplo àquilo que aqui em baixo se escreveu. Assim sendo, mais nos esforçaremos daqui por diante por colocar conteúdos rigorosos de forma a sabermos servir bem todos sem excepção.
 
Algo imaterial e pouco perceptível, a comunicação constituiu um instrumento indispensável para o relacionamento entre humanos e não humanos e consequente evolução da humanidade. Desde que existe homem que existe a necessidade de comunicar e com ela a necessidade de desenvolver os meios de comunicação mais adequados e eficazes para uma boa circulação dos enunciados. Actualmente, com a explosão do acesso à Internet a nível global, a informação circula em tempo real entre indivíduos e instituições desde os lugares mais remotos do planeta até à maior metrópole do mundo ocidental. É fácil estabelecerem-se relacionamentos, trocar-se impressões, aprender e ensinar. A comunicação é portanto cada vez mais um instrumento de partilha. O cuidado a ter com esta nova forma de nos conectarmos, reside naquilo que sempre foi o maior problema de qualquer sistema de comunicações - o ruído. Se não houver o cuidado de tentar confirmar a informação recebida, podemos cair no risco de receber falsa informação e com isso condicionarmos a nossa vida, o nosso dia a dia, a nossa forma de pensar e de agir e por inerência a forma como lidamos com os outros. Muitas vezes porque uma informação não é a mais correcta, tomamos as decisões erradas e irreversíveis com prejuízos irremediáveis.
 
A gestão de qualquer órgão de informação, deve, portanto, pautar-se por uma série de princípios dos quais sobressai a imparcialidade e a objectividade. A tentativa de abstracção em relação ao assunto que se reporta marca a diferença entre artigo e reportagem e muitas vezes é confundido não só pelo emissor como pelo receptor, os quais fazem do facto opinião e da opinião o facto. Este jogo absurdo da confusão entre conceitos, já fez com que muitos indivíduos alcançassem precocemente um nível de insucesso nas suas vidas e carreiras.
Ao não distinguirmos a nossa opinião daquilo que é a realidade tal qual como ela é, podemos enveredar por um caminho de fantasia, de ilusão, de virtualidade e de ruptura com a realidade que nos rodeia. Depressa nos encontramos em desequilíbrio connosco e com os outros e é fácil entrar-se no campo da perturbação mental.
 
Para mim é fundamental, quer na vida, quer na actividade que desenvolvo aqui no Cavalo Alado e noutros órgãos de comunicação, que esteja sempre presente o rigor e a máxima veracidade nos conteúdos com que lido. Se me é permitido o livre arbítrio de escolher este ou aquele tema, o outro assunto e não este, se a crónica é sobre um ou outro assunto, já não me é permitido divagar, inventar, mentir ou colocar em cima dos assuntos reportados a minha opinião pessoal sem que para tal alerte para esse facto. Se estas regras não estiverem suficientemente interiorizadas por mim, o resultado poderá ser uma catástrofe para quem lê, mas sobretudo um tsunami a prazo para quem escreveu e para o órgão que lhe serve como base. A selecção dos conteúdos, depois do que atrás dissemos, parece-nos então uma questão fundamental para o bom funcionamento de um órgão de informação. Quando falamos de Motos, Motociclistas, seus Eventos, problemas, grandezas e misérias porque como em tudo também as há, não podemos esquecer em primeira mão do meio de que dispomos e sem qualquer apelo à auto censura, parece-me necessário ter em conta que se nos envolvemos num serviço ao motociclismo em termos gerais, não é muitas vezes correcto, apenas a troco de mediatismo e aumento de tiragens ou audiências, utilizar o sistema (proibido pelas regras do bom jornalismo) do vale tudo e quanto mais bizarro melhor.
 
Dos poucos anos que tenho no meio motociclista, e relembro sempre que para se entender alguma coisa sobre este assunto, melhor seria vivermos duas vidas, mas apenas temos uma, tenho verificado que alguns companheiros, vá-se lá a saber porque razão, preferem, ao invés de questionarem outros companheiros, grupos ou organizações sobre aquilo que são e sobre os princípios que os norteiam, tirar as suas próprias conclusões sem qualquer cuidado que não seja acreditar no primeiro propagandista que pela frente lhe aparece. Esta atitude altamente reprovável tem feito que entre os mas variados grupos e as mais variadas sensibilidades presentes no vasto mundo que é o motociclismo, nem sempre tenha existido a melhor harmonia, compreensão, respeito e porque não dizer cooperação. Esta constante propagação dos teorizadores da cisão, apenas serve interesses  locais, pequenos e mesquinhos, e faz com que a liderança do motociclismo na sua essência mais pura, seja feita em muitos casos por pequenos barões de província, mais preocupados em obter lucros com o seu pequeno feudo do que transbordarem para a realidade universal, antiga e séria que é o motociclismo, e os valores que em si encerra.
 
É claro que com as conquistas irrecusáveis da liberdade e da auto determinação, ninguém é dono de ninguém, nem do direito que cada individuo tem por natureza a definir o seu modo de vida pode ser violado. O problema maior é quando a aplicação destes princípios apenas é feita num só sentido, fazendo de nós, do nosso grupo, do nosso pequeno bardo e do feno que por cá abunda ou não, a mais importante, virtuosa e respeitável coisa do mundo, renegando e tentando suprimir e abafar tantos outros que à sua medida vão fazendo, quantas vezes de forma anónima e gratuita, do motociclismo verdadeiramente a sua vida, o seu sangue e a razão da sua existência. Por tudo isto, deixo-vos esta semana com este tema e com o apelo a uma reflexão sobre ele, lembrando uma vez mais que a informação é como o ouro, mas tenham atenção! Nem toda brilha!!
 
Uma boa quarta feira para todos
Alfredo Nobre, membro DOG 003
 
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publicado por Cavalo Alado às 01:10
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