Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008

EU NÃO FAÇO GREVE À GREVE

 

Por: Alfredo Nobre

 

 

 

 

Hoje estou de greve. Mais uma das muitas a que já aderi enquanto funcionário público. Desta vez faço-a por convicções meramente pessoais, deixando de lado a minha condição de Delegado Sindical.
Esta minha decisão apenas simbólica em termos de acção, tem por base a constatação de uma realidade que se tem vindo a agravar, pelo menos desde que sou responsável local pelo maior sindicato do país, o STAL. É que na realidade verifica-se também no sector sindical uma nítida intoxicação política ao nível dos cargos representativos dos associados. Muitas das acções propostas pelos dirigentes têm mais como base a promoção pessoal, ao invés de irem ao encontro das necessidades reais dos trabalhadores que confiam a defesa dos seus direitos a uma Instituição Sindical. Entendemos todos perfeitamente que para se atingirem vantagens rápidas e fáceis é sempre melhor estar com a parte mais poderosa do que com os mais frágeis. Neste caso, aquilo que se verifica é uma penetração de activistas sindicais afectos a este ou àquele partido ou força politica, condicionando com isso as decisões que deveriam ser tomadas apenas e exclusivamente tendo em conta, não privilégios mas sim os direitos dos trabalhadores. No actual panorama político-social, todos sem excepção e independentemente das convicções ideológicas de cada um, reparamos numa galopante cisão entre os mais ricos e os mais pobres, com um fenómeno de esvaziamento da chamada Classe Média, de proporções alarmantes. A este facto, como me parece óbvio, não é alheia a continuada politica exercida pelos sucessivos governos desde o 25 de Abril, que ao invés de promoverem o crescimento e reforço desta Classe, paradoxalmente a base do seu eleitorado, a tem dissolvido caindo a maior parte dos seus ex pertencentes na cada vez maior fatia de pobres deste país. Claro que a isto tudo não são alheias as posturas que os responsáveis sociais, mesmo fora do movimento sindical, têm tido. Muitas vezes, como todos saberão, a troco de privilégios direccionados a um facção, grupo ou agremiação, são ignorados, violados e retirados os privilégios do Todo. Desta forma, e contrariando os princípios emanados à custa de suor e sangue, já desde os tempos das corporações de ofícios da Idade Média, até às bases do sindicalismo nos finais do século XVIII com as sociedades de socorro mutuo até à constituição, já no século XX, da Primeira Internacional, por milhares de trabalhadores que se sacrificaram em prol da conquista de maior dignidade no trabalho e na vida, hoje não temos pudor em hipotecar tudo isto apenas em favor do tacho pessoal.
Nesta senda, cada vez estou mais de acordo com a postura de Errico Malatesta que defendia ao contrário de Bakunin a manutenção do movimento Anarquista fora da AIT (Associação Internacional dos Trabalhadores ou Primeira Internacional), pois considerava esta associação um lugar de mera discussão de assuntos de teor económico, já que se considera a força do trabalho como um bem.
Da mesma forma que encontramos este tipo de situações de “double-face” nas instituições sindicais, encontramos esta tendência para o egocentrismo nas mais variadas instituições da sociedade e o prejuízo que esta nova cultura do individualismo transporta consigo, ir-se-á reflectir a prazo na própria destruição completa da sociedade, a qual, paradoxalmente é o sustento de cada individuo. Considero portanto que o por muitos apregoado “Individualismo” apenas tem sentido enquanto sirva apenas o individuo nas suas necessidades mais básicas (Emprego, Saúde, Justiça, Segurança, Educação, etc) e enquanto célula de um corpo social mais lato, dinâmico e heterogéneo. A confusão da parte com o todo gerou sempre crises de valores que se reflectem obrigatoriamente em perturbações sociais e acabam por terminar com regimes políticos profundamente aberrantes. O passado da História disse-nos isso por diversas vezes, e penso que o facto de repensarmos um pouco a nossa responsabilidade consciente de uma participação séria e honesta na sociedade, colocado acima dos nossos interesse pessoais, o interesse do colectivo pode ser uma forte contribuição para um sociedade futura e mais equilibrada. Não quero com isto dizer que esta ou aquela postura politica ou ideológica deve ser mais ou menos seguida ou mesmo implementada, se tivermos a consciência de que todos os modelos, desde os mais Despóticos aos mais Libertários, possuem falhas graves ao mesmo tempo que mantêm aspectos positivos, sendo mais fácil em conjunto encontrar-se um modelo evoluído de organização social. Portanto o apelo que deixo hoje é que sejamos um pouco mais activos e participativos em consciência, independentemente da doutrina ou convicção politica que tenhamos, afim de expurgar com mais facilidade a classe dominante que tem mostrado os resultados que se podem ver no dia a dia, penso inclusivamente que só de forma intensamente participativa poderemos alterar positivamente o estado actual das coisas.
 
Uma boa quarta feira para todos
 
Alfredo Nobre, membro DOG 003

 

 

 

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publicado por Cavalo Alado às 00:54
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