Quarta-feira, 5 de Novembro de 2008

INSPECÇÕES NAS MOTOS

 

Por: Alfredo Nobre

 

 

NOTA: O cavalo Alado adverte que a semelhança deste conteúdo com situações, pessoas ou nomes é pura coincidência.

 

No final da semana passada surgiu em diversos órgãos de comunicação social a noticia de que o Governo de Portugal se prepara para legislar sobre a obrigatoriedade da inspecção aos veículos de duas rodas. Numa primeira fase, a medida destina-se aos motociclos, numa segunda será alargada aos ciclomotores. Já agora, nós sugerimos numa terceira fase também a inspecção às bicicletas e porque não às carroças (estamos no bom caminho para iniciar uma carreira politica). É claro que estamos a brincar porque uma lei que inspeccione políticos nunca seria aprovada com agrado pela Assembleia Nacional.
A fundamentação mais utilizada pelo Sr Governo, para além de invocar razões de segurança rodoviária e de natureza ambiental é a de que o mesmo já acontece na vizinha Espanha e na Itália. Pena o mesmo Sr Governo(?) não ter semelhante critério estatístico para tirar o pais da terceiromundice que é o facto de sermos dos poucos cidadãos da União que não podem conduzir motociclos com cilindrada até 125cc com a licença de ligeiros.
Quando nos confrontam com questões de segurança, claro que apenas um ou outro idiota inconsciente não se preocupa em entender o assunto e em se esclarecer sobre as formas de se prevenir durante a utilização de um motociclo. De resto, e se temos que utilizar como referência outros países, informa-se o Sr Governo de que a taxa de utilização de equipamento de segurança é muito maior em países onde não existe obrigatoriedade de uso, do que aqui neste cantinho da península. Pessoalmente sou de opinião assumida de que a não obrigatoriedade do uso de capacete pode incentivar o seu uso, e passo a explicar. Em relação a esta questão e em termos práticos em Portugal pode pilotar-se qualquer motociclo desde que se use capacete devidamente homologado, mesmo que o façamos em calções de banho e de chinelos. Ora a esta permissividade legal tem sabido a esmagadora maioria dos motociclistas responder com a aquisição de material de segurança (não obrigatório mas igualmente necessário, apesar de caro) como é o caso das luvas, calçado adequado, protecções de coluna, cintas, blusão próprio, etc. O que faz confusão a muitos leigos das motos é alguns motociclistas não incidirem muito no equipamento em relação a outros. É portanto necessário explicar que os motociclos diferem muito entre si e nas suas características, e também na utilização que lhe é dada no momento. Ou seja uma coisa é eu circular dentro de uma cidade, outra é fazer uma viagem de Portugal ao norte da Europa. Uma coisa é eu pilotar uma Ducati na Marginal, outra é passear com uma Harley Davidson no mesmo sitio, motos diferentes sugerem utilizações diferentes e, obviamente equipamento de protecção diferente. Muitos motociclos, ainda, estão por força de transformações infligidas pelos proprietários, limitados na sua potência. Para os proprietários dessas máquinas, vulgarmente chamadas de “choppers” e que na realidade são na maior parte dos casos, actualmente, motos custom personalizadas, o prazer de conduzir um motociclo prolonga-se na capacidade de o adaptar a si próprios. Esta cultura da personalização tem como resultado um melhor binómio entre máquina e homem, tornando-se assim a condução mais facilitada e cómoda por força da ergonomia conseguida, tendo como resultado imediato a constatação de que os acidentes graves com este tipo de motos, cujos condutores utilizam por regra protecções mais ligeiras, é diminuto. Sabia Sr Governo?  E já agora se o prob é segurança, porque não ir cumprindo mais e fazendo cumprir a Lei nº 33/2004 (lei dos Rails)?
Em relação a máquinas de características desportivas que circulam nas nossas vias e que por força das performances que alcançam lhes é exigido maior rigor em termos de “mexidas”, quer ao nível do motor, quer ao nível da estrutura, estaremos de acordo com uma inspecção a esse tipo de veículos, mas nunca atribuída ao período de utilização pelo proprietário, mas sim ao momento de transacção. Eu explico, não seria mais fácil os motociclos serem inspeccionados no momento de compra e de venda, onde se verificaria se na realidade as características que este ou aquele proprietário lhe infligiu podem ou não vir a ter consequências danosas para um outro proprietário? Mas de resto o mercado já assim funciona, muitas das motos personalizadas perdem valor ao fim de alguns anos pelo facto de estarem adaptadas ao seu proprietário original, ora nestes casos uma maior preocupação com inspecções que vão provocar o abate dessas máquinas, parece-me inútil, desajustada da realidade, prejudicial para motociclistas e para os contribuintes em geral. Com uma lei que se adivinha com os contornos de que temos informação e mais uma vez, como tantas outras privilegia acima de tudo a entrada de dinheiro nos cofres do estado em vez de possuir a lógica intrínseca que a jurisprudência (o Sr Governo sabe o que isto é?) exige e que se baseia no principio máximo da “dura lex sed lex”, procura apenas desviar atenções, provocar clivagens sociais, e no final disto tudo “encostar” alguns milhares de motos em boas condições de uso e com isso favorecer os países produtores de motociclos, como é o caso de Espanha e Itália, hoje os campeões de vendas deste tipo de veículos no espaço europeu. De resto, com a bênção ao aumento dos combustíveis, com o IVA a 20%, com mais uma lei que se avizinha, estão outros países a esfregar as mãos de contentes e esses, mas apenas esses, a dizer com razão que Portugal tem sem dúvida o melhor governo de sempre.
Em relação aos argumentos de interesse ambiental, devo desde já dizer a quem está a trabalhar na futura lei de que não se arvorem em Camões, que esse claro que só tinha um olho mas lá ia vendo as coisas como elas são. Claro que estamos todos preocupados com as questões ambientais e se alguém gosta de ter bom ambiente são os motociclistas. As razões apresentadas pelos defensores das inspecções aos motociclos prendem-se com dois factores fundamentais; as emissões de poluentes e o ruído. Em relação à primeira devo dizer que admito a responsabilização de todos para as questões das emissões de poluentes, mas também recomendo ao Sr Governo que passe a limitar tanto a quantidade de veículos de estado ao seu serviço como as cilindradas que possuem. Como pode o Sr Governo dizer-me que a minha 125 que gasta 4 litros aos 100 km polui muito se tiver os escapes livres, se ele anda por ai, num se sabe bem a fazer o quê, num Audi de 3000cc e ainda por cima às minhas custas??!
De qualquer das formas, estamos no caminho certo! Então quando muitos países, talvez por serem menos desenvolvidos do que nós, como a Suécia, a Dinamarca, os Países Baixos, a Suiça, Estados Unidos, etc, tentam criar politicas de incentivo ao uso de motociclos, aqui em Portugal espeta-se com uma lei de cofre porque pode faltar para todos menos para as despesas do Sr Governo, e doa lá a quem doer!
Em relação ao ruído nem sequer me vou pronunciar, apenas porque não possuo mais do que 38 anos de idade e essa discussão ao nível das motos tem já oficialmente mais de meio século, na realidade deve existir desde que existem motociclos. Para se ter uma noção da polémica, já nos finais do século XIX o governo inglês meteu as mãos pelos pés ao proibir a circulação do petrociclo de Buttler com o fundamento de que o seu ruído assustava os animais que circulavam na via pública, alguns anos mais tarde, talvez ao se aperceber de que os veículos motorizados tinham vindo para ficar, impõe que os mesmos se fizessem anunciar através do seu ruído natural. É que, e toda a gente que anda de moto a sério sabe, o ruído num motociclo não deve ser tão baixo de forma a que outros veículos ou peões não se apercebam da sua presença, nem tão alto de forma a tornar-se uma tortura para o seu piloto durante uma viagem um pouco mais longa.
De qualquer dos modos sou a favor da decana máxima “Loud Pipes Save Lifes”.
Mais do que a nossa estupefacção em relação á eventualidade de uma nova lei que nos parece desajustada, espanta-nos o silêncio ao redor dela. Temos notícia, mas não temos o conteúdo, os moldes os motivos reais, a discussão, a informação e tudo o resto a que temos direito enquanto cidadãos e contribuintes portugueses. Mas mais nos espanta ainda o calar silencioso de tantas prezadas instituições representativas dos interesses dos motociclistas. Por isso, e de uma vez por todas, é chegado o momento de nos unirmos, de esquecermos por momentos algumas diferenças, porque as há, mas o momento pede unidade, diálogo e luta por direitos que são de todos, independentemente se se é “Federado”, 1%, independente, desportivo, touring, biker, de esquerda ou de direita, católico ou protestante, gordo ou magro. Neste momento o que interessa, mais do que impedir o surgimento de uma lei, é demonstrar que não somos cidadãos de segunda, somos todos portugueses e temos todo o direito em nos fazer ouvir e em participar na construção deste pais que tanto necessita de todos. Não façam de nós “bodes expiatórios” de uma crise que não causámos. Nem podemos admitir que nos ignorem porque nós nunca ignorámos ninguém. Se assim não for teremos, evidentemente mais um murro seco no estômago, ao qual iremos responder com o surdo ufff! Do costume.
Ou talvez não…
 
We will be back!!!
 
Uma boa quarta-feira para todos
Alfredo Nobre, membro DOG 003

 

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publicado por Cavalo Alado às 02:46
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1 comentário:
De Philipp a 1 de Maio de 2009 às 19:57
Acompanhe uma super-Transformação de uma legitima moto 2 tempos em ciclo2tempos: http://ciclo2tempos.blogspot.com/2008/12/restaurao-agrale-275.html
Tduo sobr emotos e motores 2 tempos!


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