Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

AMIZADES

 

Por: Alfredo Nobre

 

 

OLHA BEM PARA AS MINHAS COSTAS!
E VERÁS AS TUAS!
 
Um dos bens mais preciosos que tenho acumulado na vida é a Amizade. Ao longo do tempo em que me tenho cruzado com gente e desde que sou gente, estabeleci o mais normal dos relacionamentos com os outros, talvez apenas variando em função da idade, do momento, da situação e também do conhecimento que ia possuindo em cada momento.
Nesta constante construção de um universo próprio recheado de amigos, e de gente que por mim nutre sentimentos de apreço e de respeito, tenho já verificado por mais do que uma vez os sintomas que alguém apresenta no inicio de um relacionamento e que desde logo vão definindo qual o verdadeiro motivo do iniciar uma nova “relação amistosa”.
Desta forma, é cada vez mais fácil detectar com um maior grau de fiabilidade que tipo de pessoas me interessa manter e integrar no meu círculo de amizades e quais aquelas sobre as quais rejeito qualquer relacionamento amistoso.
Dito assim pode parecer frio o meu raciocínio, mas se repararmos bem, apenas aqui se aplica a teoria da proporcionalidade. Vejamos, seria legitimo manter exactamente o mesmo grau de relacionamento tanto com aquele que demonstra amizade por nós, como por aquele que declaradamente é nosso inimigo? Claro que não! Muito embora procure ter por muitos dos meus inimigos uma postura de respeito e lealdade, sobretudo quando a animosidade em causa se baseia apenas em divergências de ordem conceptual, movida por diferenças de opinião sobre este ou aquele assunto. Quando assim é, é óbvio que se torna complicado manter um relacionamento amistoso onde exista cumplicidade suficiente para se poderem levar projectos comuns a bom termo portanto as relações de amizade não podem florescer com normalidade e penso ser mais honesto definir logo no início essa impossibilidade.
Outro tipo de relacionamento social prende-se com os meus declarados Inimigos, aqueles que não só se opõem a mim, como partem para a acção tentando de todas as formas e feitios prejudicar deliberadamente a minha forma de estar. Costumo subdividir estes em duas categorias: os Inimigos de índole ideológica, presos a conceitos ou preconceitos que os levam a odiar simplesmente todo aquele que represente ou carregue em si os ícones antagónicos à sua forma de estar ou ao seu projecto de vida e os Inimigos de inveja, actuando da mesma forma que os anteriores, mas motivados já não por causas antagónicas, mas sim pela impossibilidade de conseguir percorrer o mesmo trilho que eu, ou por o não conseguirem fazer melhor que eu, pelo menos no seu entender. Estes no fundo são admiradores secretos que com a sua atitude ajudam sem querer a que o meu percurso tome nova dimensão e saia mais reforçado e evidenciado.
É claro que ao colocar em prática algumas técnicas que fui aprendendo e aperfeiçoando ao longo da vida, mais dificilmente vou obtendo Verdadeiras Amizades, tanto mais que os critérios de aceitação e de rejeição são cada vez mais rigorosos, portanto, se consigo com maior grau de certeza estabelecer uma nova amizade saudável, também com maior facilidade recuso falsas amizades ou mesmo porque não dizer, arrebanho inimigos. De qualquer das formas, o número de gente que não gosta de mim, é directamente proporcional ao número de pessoas de quem não gosto, e se algo de positivo há nisto tudo é o facto de saber que o número deste exército de incomodados aumenta em proporção ao meu sucesso pessoal, então que tal equacionar a hipótese de agradecer a esta gente? …Pensarei no assunto…
Para além dos tipos de Inimigos apresentados anteriormente, e que até é natural que existam, encontramos um outro estereótipo de indivíduos que cultivam sistematicamente uma postura igual com todos aqueles com que se relacionam, são mais difíceis de identificar, uma vez que desenvolveram ao longo das suas vidas uma técnica muitas vezes bem elaborada e rodeada de subterfúgios, disfarces e camuflagens, pertencem portanto à espécie dos répteis, apresentando semelhanças com o camaleão e para pasmo da ciência não só se vão parecendo em termos de atitude como até fisicamente. Estou a falar dos Falsos Amigos. Este género de pessoas, cuja existência é motivada por uma grande dose de egocentrismo, com ambições gananciosas de obtenção de grandes proveitos quer materiais, quer sociais, embriagadas por um narcisismo que estoura por todos os lados com os mais aceitáveis limites do brio pessoal, e transborda num imenso charco de ambição desmesurada, não hesitam em se aproximar daquilo ou daqueles que lhes interessam aparentando grandes doses de altruísmo e dedicação, chegando por vezes ao cúmulo do “lambe-cuzismo” piroso e gratuito, embaraçando e contaminando o verdadeiro valor dos que são “lambidos” esperando com isso ser retribuídos da mesma forma. Ao lidarem com pessoas com princípios éticos e morais sólidos e bem definidos, e porque não sabem o que isso é, defraudam, naturalmente, as suas expectativas e eis que surgem as mais vis armas apontadas ao até então grande Ídolo…calunia-se, mente-se, difama-se, inventam-se defeitos que felizmente todo o olho mais saudável, atento e capaz de exercer um juízo de valor isento, depressa expurga e verifica tratar-se da mais pura má língua não fundamentada. É característico neste género de personalidades perturbadas e decadentes a existência de múltiplos projectos durante as suas vidas, quase sempre servindo como cobertura aos mais degradantes e desonestos actos. Encontramos com facilidade sujeitos com este estigma ocupando cargos de responsabilidade na vida social das comunidades desde a política (onde abundam), passando pelas direcções desportivas e associativas e até (infelizmente) ocupando cargos ou detendo estatutos dentro do meio Motociclista. Na verdade tenho reparado, com alguma lamentável regularidade, que andam por aí no nosso meio uma série de sáurios que de forma gratuita e sem que nada lhes seja pedido colocam este ou aquele individuo nos píncaros da estima e consideração, fazendo crer que se tem com a pobre vítima, que muitas vezes nem se apercebe daquilo que se passa nas suas costas, a maior das amizades e intimidade, apenas porque no momento interessa tomar essa atitude, para de seguida, e porque os objectivos mudaram, chegar mais adiante e deitar o mesmo individuo por terra, apontando defeitos, imperfeições, limitações e falhas, quer elas existam ou não. Os verdadeiros motivos porque o fazem? É um mistério… ou talvez não e quem sabe não possa dar um bom tema para uma Crónica no futuro, mas isso ficará para depois. O que este tipo de “Amigalhaços “ se esquece e aí está o seu mortal calcanhar de Aquiles, é que na ânsia de destruir tentam chegar o mais longe possível e é justamente aí que se revelam porque, reparem bem, com que cara ficam quando alguém percebe que hoje te mostraste o mais dedicado amigo deste individuo e amanhã estás noutro fórum a destruí-lo por completo? Coerência não mora aí e sem ela não há crédito, valor, não há individuo! Eu por mim dispenso gente desta e encontro-me no meu direito de não querer este tipo de “amizades”. Quanto a vós… passem com os olhos atentamente sobre as minhas costas e depois olhem-me nos olhos… se forem capazes, claro.
 
 Uma boa quarta-feira para todos
 
Alfredo Nobre, membro DOG 003

 

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publicado por Cavalo Alado às 01:03
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