Domingo, 8 de Março de 2009

FAY TAYLOR

Dia Internacional da Mulher

 

No dia Internacional da Mulher, não podiamos deixar de fazer aqui, como é habito a nossa justa homenagem. Já no passado o fizemos mesmo extra dia 8 de Março. Um dos nossos primeiros posts fazia a justa referência às senhoras e ao seu papel no mundo das duas rodas. Desta vez quisemos ir mais longe e homenagear uma das primeiras mulheres que em todo o mundo ousou desafiar regras e preconceitos e se dedicou às motos de tal forma que ficou para a história do motociclismo. Por isso mesmo aqui fica dedicada a todas as mulheres motocilistas do mundo a nossa homenagem traduzida naquilo que foi a vida de Fay Taylor.

 

 

  

Fay Taylour Foi a mais famosa motociclista nos finais dos anos 20 e uma brilhante piloto de competição. Nasceu na Irlanda em 1904. Aos 21 anos de idade era já conhecida no mundo das corridas de motos desde a Inglaterra à Austrália e Nova Zelândia. A popularidade desta corredora nos anos 20 é difícil de imaginar, mas podemos apenas referir como exemplo que na Austrália antes de Fay participar em corridas o número de espectadores não ultrapassava os 1000, com a chegada dela os números dispararam para a casa dos 20 000!! Este fenómeno teve como consequência imediata uma série de problemas relacionados com as estruturas e capacidade de organização das corridas, embora por outro lado tenha feito a fortuna de muitos promotores e patrocinadores deste desporto.
 
O cavalo Alado teve acesso em exclusivo a uma entrevista dada por Fay Taylor a um jornal australiano em 1930. É exactamente a tradução dessa entrevista que aqui passamos de seguida com tradução nossa.
 
“Toda a minha vida gostei de qualquer tipo de desporto e quando tomei contacto com os desportos motorizados aquilo que mais me fascinou foi a velocidade. Também me desperta interesse o aspecto mecânico e tudo aquilo que tenha rodas, já em criança preferia brincar com brinquedos mecânicos do que com bonecas. Se penso que as corridas são um exclusivo dos homens?! Talvez seja devido à capacidade física exigida, mas não penso que sejam um tabu para as senhoras que podem perfeitamente surpreender demonstrando as suas capacidades.
Se uma mulher for forte o suficiente e gostar de estar na pista, pode perfeitamente competir ao lado de qualquer homem de igual para igual. Contudo deve ter em atenção alguns aspectos importantes como o facto de não perder a sua feminilidade fora das pistas. Sei perfeitamente que muitos pensam que é uma aberração uma mulher pilotar, mas isso significa apenas que também possuímos essa capacidade. Sentimo-nos tão confortáveis aos comandos de uma moto como no recato do nosso lar.
Quando há três anos atrás adquiri a minha primeira moto, pensei que tinha perdido o juízo e que poderia ainda perder algo mais. Mas nada disso aconteceu, nesse mesmo ano participei na Southern Scots Scramble em Camberley e venci a prova.
 
Douglas Motocycle Company BS15 por brizzle born and bred.
Fay Taylor posando em cima de Uma Douglas nas instalações da fábrica em Kingswood nos anos 20
 
Foram 48 milhas por maus caminhos subindo montes e descendo por rampas. Para se conseguirem resultados é necessário ter uma boa dose de espírito de sacrifício para além de possibilidades económicas. Foi um tio meu quem mais me ajudou neste aspecto. Antes da prova ninguém acreditava que fosse possível ser eu a vencedora e penso que isso só foi possível em parte porque eu desejava mesmo ter uma carreira no mundo da competição, quando dei por mim estava a pensar: Mulher, tu tens que vencer isto! E venci. Foi assim que tudo começou.
Claro que tudo isto necessita de financiamento e ai quando se trata de uma mulher muitos são aqueles que se opõem e preferem não correr riscos. Aguns construtores disseram-me que eu era demasiado agressiva em pista. Aparentemente não me dão grande valor por entenderem que não atraio outras mulheres para o mundo das motos.
Para complicar mais as coisas sofri um acidente e fui sujeita a uma intervenção no joelho, felizmente tudo correu pelo melhor e pude continuar a trabalhar com uma empresa de Birmingham no seu stand de vendas. Mas aquilo que eu queria mesmo era correr, claro que já tinha vencido muitas provas a possuía alguns títulos, mas isso não bastava, eu queria mesmo era velocidade!.
Fui cada vez mais recusando participar em corridas de terra, pensando sempre no TT da Ilha de Man. Esta ausência auto-imposta culminou com a corrida em Cristal Palace, onde regressei à competição e pude avaliar a minha evolução como corredora.
Durante todo o verão fui-me esforçando para poder estar ao mais alto nível e quando uma mulher quer algo com muita força, dificilmente deixa de o conseguir obter.
Quando surgiu a oportunidade de fazer um round pela Austrália, toda a gente me dizia que os australianos nunca iriam permitir a participação de uma mulher numa corrida de motos. A minha oportunidade, contudo viria a surgir quando derrotei alguns campeões australianos.
Na Inglaterra os circuitos são bem mais curtos que na Austrália e com mais curvas, o que tornam as nossas provas mais emocionantes, lá o que acaba por fazer a diferença é mais a capacidade psicológica para poder resistir."
 
Nesta fotografia, Fay está sentada sobre uma Douglas DT5 com motor flat-twin de 500cc ohv, esta moto possui um centro de gravidade extremamente baixo o que faz com que as pernas do piloto se coloquem numa posição muito semelhante à dos jokers nas corridas de cavalos. Esta máquina era imbatível durante os anos de 19227, 1928 e 1929, mais tarde viria a ser destronada por máquinas especialmente construídas para as corridas, equipadas com motores Rudge e JAP.
 
Em 1930 as mulheres foram proibidas de participar em corridas de motos em toda a Inglaterra. Fay Taylour depresa se mudou para a competição automóvel, Fay fazia-se acompanhar sempre de um pijama de cetim, para a eventualidade de sofrer um acidente e ter que ser hospitalizada, da última vez que isso acontecera, Fay tinha detestado a camisa de dormir grosseira que lhe haviam atribuído no hospital.
 
 
A foto de baixo mostra-nos Fay preparada para enfrentar a prova Internacional do Trial dos Seis Dias em 1929, aos comandos de uma Panther 500cc ohv. Nesta corrida Fay não estava sozinha, como ela estava a correr uma equipa constituída exclusivamente por senhoras, a Ladie’s Vase Team, composta por Marjorie Cottle (348cc Raleigh), Edyth Foley (Triumph 346cc), e Louie McLean (Douglas).
 
 
O ISDT nesse ano passou passou por cinco países (Alemanha, Áustria, Suiça, Itália e França) e foi considerado um desastre em termos de organização. As provas em geral eram bastante duras, tanto para máquinas como para pilotos mas Fay Taylor tudo fez para consseguir a medalha de prata, não só ela como Marjorie Cottle, Betty Lermite (Royal Enfield) e Louie MacLean.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Fay estava deportada na Ilha de Man, por defender ideias pró fascistas, com ela estavam também Sir Oswald Mosley, fundador da famosa União Britânica de Fascistas. Apenas foi libertada com a condição de ir viver para a Irlanda que então era um pais neutral, durante o tempo em que durasse a guerra.
 
Contudo, depois de terminar o conflito, Fay trocou a Irlanda pelos Estados Unidos onde entra no mundo das corridas de automóveis. Apenas regressaria a Inglaterra em 1953 onde correu com um carro de 500cc, na famosa Fórmula Cooper. Em 1959 retira-se definitivamente das corridas e vem a falecer em 1983.
 
 

publicado por Cavalo Alado às 17:45
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