Terça-feira, 11 de Agosto de 2009

Federico Moccia - Três metros acima do céu

 

Federico Moccia

 

Federico Moccia nasceu em Roma em 1963. Trabalha como cenógrafo no cinema e como argumentista para a televisão. É autor de três títulos, traduzidos em doze línguas, todos eles grandes best-sellers entre os leitores jovens de todo o mundo, tendo-se tornado uma referência indiscutível para os adolescentes do seu país. Moccia combina o estilo rápido e ligeiro, o coloquialismo e a descrição esquemática de situações numa elaboração muito próxima do guião cinematográfico, o que dota a sua escrita de uma grande fluidez e facilidade de leitura. As frequentes alusões a referências culturais, sem descurar os mais intensos sentimentos amorosos e as atitudes rebeldes que caracterizam a adolescência, são os seus trunfos para prender rapidamente os leitores.

 

www.federicomoccia.it

Factos interessantes:


Já vendeu mais de três milhões de cópias das suas obras só em Itália. Federico Moccia é um dos fenómenos editoriais mais espantosos dos últimos tempos; o público jovem italiano vê-se reflectido nas histórias e sente a sua autenticidade, a conexão com a realidade social do momento. Roma tem já a “Rota Moccia”: as frases dos seus livros escrevem- se nas paredes da cidade e milhares de jovens italianos e estrangeiros selam o seu amor prendendo um cadeado nos candeeiros da ponte Milvio, como os protagonistas de Quero-te Muito. Até existe uma página Web para colocar cadeados virtuais:

 

http://www.lucchettipontemilvio.com/.

 

A história do sucesso de Moccia constitui por si só um romance. A sua primeira obra foi rejeitada por todas as editoras, até que Federico Moccia decidiu fazer uma edição de autor. Os dois mil exemplares que lançou venderam-se rapidamente e o livro sobreviveu em fotocópias durante oito anos. Por casualidade, uma dessas fotocópias caiu nas mãos de um director de cinema que se apercebeu do seu potencial. A obra foi levada ao ecrã e publicada numa das mais prestigiadas editoras italianas, tornando-se um sucesso

 

três metros acima do céu

 

Escrito por Federico Moccia, este é um livro comovente e inspirador, que venceu o Premio Letterario Nazionale Insula Romana, na categoria de literatura para jovens adultos, e o Premio Torre di Castruccio, na categoria de ficção (2004).Relançado em 2004, numa versão actualizada pelo próprio autor, Três metros acima do céu é um emocionante livro sobre amor, sonho e melancolia, narrado com a revolta e a poesia típicas daqueles que têm pressa de viver. Como se pode verificar nas ilustrações o livro Três Metros Acima do Céu foi para o cinema na Itália em 2004. No elenco estão Riccardo Scamarcio (Step) e Katy Louise Saunders (Babi)
A paixão do mais improvável dos casais, Babi, uma menina de familia de Roma, e Step, um motociclista bad boy, é a trama de Três metros acima do céu , um romance que conquistou a juventude italiana, a ponto de, durante anos, circular em fotocopias entre os leitores. Para viver o primeiro amor com toda sua intensidade, os protagonistas tentam transformar-se, enquanto enfrentam a oposição da família da rapariga, o espanto dos amigos, as dificuldades de acertar o próprio relacionamento e de amadurecer.
Babi, a excelente aluna de boas famílias, assusta os pais ao deixar de obedecer cegamente às convenções que até então regulavam a sua existência, enquanto Step se surpreende ao perceber que o amor o vai obrigar a abandonar velhos hábitos e a tratar com respeito a namorada que se prepara para seguir uma carreira universitária, algo muito distante do que o destino reservou para o jovem delinquente. Entre lutas de motociclistas, festas que varam noites, tatuagens, brigas homéricas, provas desesperadas de afecto e uma tragédia que mudará para sempre as suas vidas, Step e Babi vivem uma incrível história de amor, cheia de reviravoltas e sentimentos à flor da pele, aquele tipo de paixão que só pode ser vivida quando se tem dezassete anos e se acredita que tudo ainda é possível.

Alguns trechos do livro:
A Cinturada
- Olhem só quem ali está. - Pollo aponta para as motos prontas para arrancar. — Aquela ali na moto do Danilo não é a amiga da Pallina?
Step focaliza. Não é possível. É a Babi.
- Ela mesma. - Agita o braço com a bandana e grita o nome dela. Ela ouve. É Step. Reconhece-o, lá no fundo, bem diante dela. Está acenando.
"Está com a minha bandana", sussurra para si mesma. "Peço-te, Step, tira-me daqui,ajuda-me. Step, Step!" E solta a mão para pedir que ele se aproxime. Na mesma hora, Siga apita. O público explode num grito. É quase um trovão. As motos pulam para a frente, rugindo. Babi segura-se novamente em Danilo, apavorada. As três motos empinam. Babi está agora de cabeça para baixo. Tem quase a impressão de estar no chão. Vê o asfalto passar rápido por baixo dela. Tenta gritar enquanto o motor urra e o vento desgrenha seu cabelo. Nenhum som sai de sua boca. O cinto aperta com força a barriga dela. Está com vontade de vomitar. Fecha os olhos. Pior ainda. Acha que vai desmaiar. A moto continua correndo numa roda só. A roda dianteira baixa um pouco. Danilo acelera. A moto empina mais uma vez, Babi acaba ficando ainda mais perto do asfalto. Acha que vão virar. Um toque no travão e a moto volta a descer, suave. Agora está melhor. Babi olha ao redor. A plateia já não passa de um borrão distante, colorido, um tanto desbotado. Em volta, tudo é silêncio. Só o vento e o barulho das duas outras motos. O Bailarino, à direita, vem logo atrás deles. Os seus cabelos longos esvoaçam ao vento enquanto a roda da frente parece estar quase imóvel no ar. Hook ficou um pouco mais longe.

Danilo está a ganhar. Ela está a ganhar. Madalena está certa. "Empina como ninguém." Babi está tonta. Ouve um barulho à direita. Ela vira-se. O Bailarino reduz para, a seguir, acelerar mais. A moto empina de forma brusca. Um toque mais forte no travão. A roda dianteira baixa depressa demais. A moto salta no chão, o Bailarino tenta segurá-la. O guiador escapa-se das mãos. A moto dobra à esquerda com uma guinada e volta para a direita, derrapando. O Bailarino e a garota na garupa são jogados para longe por aquele cavalo de motor descontrolado. Ainda presos, acabam no chão. O cinto que os une arrebenta, mas continuam rolando juntos por mais algum tempo, arranhando-se, ricocheteando de um lado para o outro da estrada. A moto, agora à solta, continua veloz a sua corrida até cair de lado. O monstro de metal desliza no asfalto, salta faiscando e levanta vôo. Capota várias vezes até dar uma espécie de cambalhota e passar por cima de Babi, na escuridão da noite. Dá um pulo para o céu de pelo menos cinco metros, com o farol ainda aceso, ilumina tudo em volta, desenha um arco de luz. Finalmente, com um último estrondo de ferragem retorcida, desmorona, espatifa-se, deixa atrás de si um rastro de peças metálicas e cacos coloridos. Pequenas faíscas de fogo acompanham o que restou da moto, cada vez mais fracas, até o fim da sua corrida. Hook e Danilo param. O grupo, ao longe, fica um momento em silêncio, mas depois todos se agitam para socorrer o casal. Nas Vespas, SH 50, Peugeots roubadas, motos de poucas ou muitas cilindradas, Yamahas, Suzukis, Kawasakis, Hondas.
Um exército de motos aproxima-se ruidosamente. Todos querem chegar depressa ao local do acidente. O Bailarino levanta-se. Arrasta-se sobre uma só perna. A garota, inchada e ferida, aparece com os jeans rasgados e um dos joelhos sangrando. Uma visível elevação na parte de cima do casaco assinala o ombro deslocado, enquanto um filete de sangue escuro desce da sua testa, escorrendo pelo pescoço. O Bailarino olha para a moto destroçada. Curva-se para acariciar o tanque. Uma parte da praia foi arrancada. O surfista desapareceu, levado pela onda muito mais dura do asfalto em brasa.
A rapariga está deitada no chão. O braço direito está torcido de forma anormal. Está quebrado. Chora devido ao susto, soluça descontrolada. Babi livra-se do cinto duplo. Desce da moto. Dá alguns primeiros passos incertos. Não se consegue firmar sobre as pernas de tanta emoção. Avança na multidão. Não conhece ninguém. Ouve os lamentos da jovem deitada no chão. Procura Pallina.A dado momento, ouve outro apito. Mais longo. O que significa? Outra terrível corrida está para começar? Não entende. Os jovens começam a correr em todas as direcções. O pessoal empurra-se. Duas scooters quase que a atropelam. Ouvem-se sirenes. Alguns carros aparecem não muito longe dali. Em cima deles, luzes azuis piscam sem parar. A polícia. Era só o que faltava. Precisa alcançar a sua Vespa. À sua volta, há um corre-corre generalizado. Alguns garotos gritam, outros esbarram perigosamente em quem tenta correr. Perto dali, uma menina cai da moto. Babi começa a correr. Mais carros da Guarda Municipal cercam o local. Lá está ela. Vê a sua Vespa parada ali em frente, ao seu alcance. Está salva. De repente, alguma coisa a segura pelos cabelos. Um polícia. Puxa-a com força, fazendo com que caia no chão, arrancando algumas mechas loiras do cabelo dela. Babi grita de dor enquanto escorrega no asfalto. De repente, o polícia solta-a. Um pontapé bem no meio da barriga forçou-o a largar a presa. É Step. O guarda tenta reagir. Step lhe dá um empurrão tão violento que o outro cai ao chão e ajuda Babi a levantar-se, faz com que ela suba na moto dele e sai em disparada.
 
You Can Leave Your Hat On
— Não posso, estou com medo!
— Medo? Medo de quê?
— Tá num cão enorme, ali, e está solto, sem açaime.
— Onde? Não estou a ver cão nenhum.
— Mas eu vi.
— Está tudo bem, deve-se ter ido embora.
— Mesmo assim, não posso sair.
— Por quê?
— Estou com vergonha.
— Vergonha do quê?
— Esquece. Não estou com vontade de contar.
— O que é isso miúda? Ficaste maluca? Bom, para mim já chega. Vou ligar o motor e bazar.
Step liga a moto. Babi bate nas tábuas com as mãos.
— Não, espera.
Step desliga de novo.
— Então?
— Eu saio mas prometes que não me gozas?
Step olha para aquela estranha madeira de olhos azuis e apoia a mão direita sobre o coração.
— Prometo.
— Olha lá... Tu prometeste...
— Isso mesmo, prometi.
— Posso confiar?
— Claro.
Babi enfia as mãos na abertura tomando cuidado para não se ferir com as farpas. Solta um "ai" abafado. Step sorri. Não teve cuidado suficiente. Babi está em cima da paliçada. Ela começa a descer desajeitada. Finalmente dá um pulo. Step vira o guiador da moto iluminando-a com os faróis.
— Mas o que houve contigo?
— Para fugir do cão tive de pular a cerca e caí.
— Caiste numa poça de lama?
— Quem me dera... é estrume. Step solta uma gargalhada.
— Não me digas.... Estrume!... Não é possível... Não dá para evitar, é muito engraçado!
Dobra-se de tanto rir.
— Prometeste quenão te rias.
— Eu sei, mas isto é demais. Estrume! Não dá para acreditar. Tú coberta de estrume. Isso é o máximo... É demais!
— Eu sabia que não podia confiar. As tuas promessas não valem nada.
Babi aproxima-se da moto. Step pára de rir.
— Calma aí! O que pensas que vais fazer?
— Como assim? Vou subir pra moto, ora.
— Nem pensar! Não vais subir na minha moto suja dessa maneira.
— E o que queres que eu faça? Que tire a roupa?
— Isso é contigo. Só sei que ninguém vai emporcalhar a minha moto. Estrume, ainda por cima! - Step cai novamente no riso. - Demais! Acho que isto vai me matar de tanto rir...
Babi olha para ele, exausta.
—Tás a brincar, não é?
—Que idéia. Se quiseres, empresto-te o meu casaco para te tapares. Mas livra-te dessa porcaria. Senão, não montas atrás de mim.
Babi está roxa. Bufa furiosa ao passar perto dele. Step provoca e tapa o nariz.
—Meu deus... Que pivete...
Babi lhe dá um empurrão e coloca-se  atrás da moto, perto do farol.
— Olha lá, Step, juro que se virares a cabeça enquanto eu tiro a roupa, salto-te em de roupa estrumada e tudo.
Step fica imóvel, olhando para a frente.
— Está certo. Avisa quando quiseres o casaco.
— Estou a falar a sério. Eu não sou como tu. Costumo cumprir as minhas promessas.
Babi tenta assegurar-se de que ele não se mexeu e só então tira lentamente o suéter felpudo, com todo o cuidado para não se sujar. Não tem quase nada por baixo. Lastima que, devido à pressa, não tenha vestido uma camisola. Olha de novo para Step.
— Não te vires!
— Sou uma estátua!
Babi dobra-se. Tira os sapatos. Tudo acontece numa questão de segundos. Step é extremamente rápido. Vira o retrovisor esquerdo para a enquadrár. Babi levanta-se. Não percebe nada. Dá mais uma olhadela para ver se ele manteve a palavra. Tudo bem, Step não se virou. Na verdade, ele está olhando para ela às escondidas. A imagem de Babi está reflectida no pequeno espelho. Ela usa um sutiã de renda transparente e os seus braços estão tremendo de frio. Step sorri.
— Falta muito? Despacha-te!
— Estou a acabar. Não te vires!
—Tás à vontade, mas não te demores.
Babi desabotoa os jeans e, tentando sujar-se o mínimo possível, dobra o corpo devagar, baixando as calças até aos pés já descalços sobre os seixos poeirentos e frios. Step mexe no espelho acompanhando-a com o olhar. Os jeans revelam lentamente pernas lisas e pálidas na indecisa luminosidade da noite. Step cantarola You Can Leave Your Hat On imitando a voz de Joe Cocker.
— Muito melhor do que Nove semanas e meia...
Babi vira-se no mesmo instante. Os seus olhos iluminados pela luz fraca do farol cruzam o olhar deliciado de Step, que sorri malicioso no espelho.
— Não me virei. Mantive a palavra.
 
Três metros acima do céu...
No dia seguinte, Babi acorda e enquanto o chuveiro tira dos seus cabelos os últimos resquícios da água salgada, volta a lembrar-se, emocionada, da noite anterior.
Toma café, dá um beijo na mãe e entra no carro com Daniela, pronta para ir à escola como de costume. O pai pára no sinal sob a ponte de Corso Francia. Babi ainda está sonolenta e meio aérea quando, de repente, a vê. Não acredita nos seus próprios olhos. Lá no alto, acima de todas as outras, na coluna branca da ponte, um graffiti domina os demais, inapagável. Está lá, no mármore frio, tão azul quanto os seus olhos, da forma que ela sempre desejou. O seu coração começa a bater acelerado. Por uminstante, acha que todos a podem ouvir, que todos podem ler aquela frase, exactamente como ela está a fazer agora. E, lá em cima, inalcançável, onde só os amantes podem chegar, está escrito:
"Eu e tú... três metros acima do céu."

 

Um pequeno aperitivo para o filme...

 

 

leia o livro todo aqui

(versão brasileira)

 

 

 

 

 

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publicado por Cavalo Alado às 09:12
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