Quinta-feira, 15 de Novembro de 2007

Será que acabaram com os hippies?

Aceito o facto de que os hippies nunca foram uma maioria. Nos anos 60, muito antes de soarem os alarmes do aquecimento global, eles já procuravam a comunhão do homem com a natureza e a substituição de valores morais impostos por outros, digamos, mais naturais. O movimento hippie não era socialista, nem o capitalista. O que ele tentou foi justamente resgatar o ser humano das convulsões de suas próprias idéias, desses mares tempestuosos de sistemas teóricos falíveis e falidos, usando como bússola o que a natureza ­- a mãe da sabedoria - nos deu, os nossos instintos. Não sei bem o que houve de então até hoje.

A televisão cresceu para se tornar a "primeira natureza" do homem moderno; derrubaram o socialismo, e com ele a esperança de um outro sistema; forjaram uma ciência humana onde o homem é apenas um produto do meio, moldável e adaptável a qualquer meio - ignorando o atrito entre esse meio e nossa natureza biológica original, imutável e imortal. Aquela natureza que os hippies tentaram recuperar. Asfaltaram o mundo. Impermeabilizaram o que era uno e vivo, tanto que as crianças de hoje desconhecem a natureza, chegando a temê-la, e assim já nascem talhadas a este mundo corrompido, incapazes de perceberem o que estamos perdendo com a degradação ambiental. Hoje, que o mundo é um lugar mais populoso, mais sujo e violento que nos anos 60, hoje que somos mais informados, e teoricamente mais livres, ninguém mais se revolta, virtualmente ninguém desafia ou foge do sistema, não cuspimos na sua cara nem tentamos criar o novo. A natureza humana resiste encurralada, assustada, na penumbra. Pergunta a si mesma se um dia será livre de novo, livre da imposição do consumo e da moda, da valorização do indivíduo pela sua roupa, carro e telémovel, livre das mentiras que aceitamos, dos impostos que pagamos, das máquinas, dias de trabalho, do calendário. Era isso que os hippies buscavam, e nunca estivemos tão distantes disso tudo como hoje. Não faz sentido que abandonemos a busca; temos um longo caminho de volta até lá atrás, onde nos perdemos, e aí sim, poderemos pensar em seguir adiante...

Porque aqui, aqui estamos num beco sem saída.

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publicado por Cavalo Alado às 00:23
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