Terça-feira, 1 de Abril de 2008

Seginho Poeta-Negro poeta de esquina

O poeta da motocicleta

Serginho Poeta nasceu em São Paulo, em 27 de junho de 1970. Rejeitado pelo pai, foi registrado Sergio Luis Lima de Oliveira, recebendo apenas o sobrenome da mãe, Cely. Nos primeiros meses de vida morou na favela da Cachoeirinha, zona norte da cidade, passando depois a viver com a avó.

Mais tarde, sua mãe veio a conhecer José Mesiano, - que lhe acrescentou depois o sobrenome - proprietário de um salão de cabeleireiros e militante do partido comunista. O espírito revolucionário do padrasto forjou a personalidade de Serginho e foi sob sua influência que o poeta teve seu primeiro contato com a leitura, por meio da obra de Monteiro Lobato.

Depois de morar em diversos pontos da cidade, a família adquiriu uma casa no Parque Santo Antônio, próximo ao Capão Redondo. Ao mesmo tempo em que a vida na periferia trouxe à vista do poeta um cenário de exclusão, injustiça e preconceito, aproximou-o de novos valores e referências culturais, entre elas, o samba dos botecos e o rap dos jovens de sua idade.

Descobriu a poesia nas canções do primeiro disco de Zeca Pagodinho, comprado em sociedade com o amigo Adoaldo. Mais tarde, ao ouvir a música dos Racionais MCs e ao ler os poemas de Ferreira Gullar e Castro Alves, Serginho identificou-se com a expressão artística inspirada na realidade social. Seus versos narram episódios pessoais e corriqueiross, vistos sob um olhar atento a questionamentos sócio-culturais e, sobretudo à capacidade do ser-humano de superar os obstáculos da vida cotidiana.

Em 1998, casou-se e teve um filho, Hector. Em 2001, aos trinta e um anos, conheceu a Comunidade Samba da Vela, projeto cultural realizado no bairro de Santo Amaro. Em uma noite memorável, por sugestão de um dos organizadores, Magno de Souza, o então motoboy declamou Negro Poeta de Esquina e, a partir deste dia, foi batizado Serginho Poeta e passou a integrar as apresentações do grupo.

Serginho atualmente cursa ciências sociais na Escola de Sociologia e Política de São Paulo (ESP) e continua morando no mesmo Parque Santo Antônio, de tantas alegrias e sofrimentos, próximo ao filho, aos pais e amigos.

Negro poeta de esquina

Meia noite no gueto
Tem um preto parado na esquina
- Será ladrão ou vendedor de cocaína?
Se perguntam os tripulantes da barca são-paulina
Que se aproximam para abordá-lo
interrogá-lo e espancá-lo
Não necessariamente nesta ordem, é claro

O homem permanece inerte
Ainda assim
Recebe um soco no rosto
Que é dado com gosto
Enquanto um segundo soldado
De um posto maior
Desfere-lhe um chute
Não há quem não escute, naquela noite
O açoite moderno
Mas só quem vê é o azul eterno
O celeste noturno...
Cassetete, coturno; cassetete, coturno!

Por um momento
Cessam então o linchamento e ordenam:
- Fala negro, não me enrola
o que faz na rua a essa hora?

- Venho aqui para fazer poesia
Sou poeta da lua
Por isso, troco a noite pelo dia
E é tão triste quem na lua se inspira
Apaixona-se por ela, tornando-a sua lira
Mas apesar dessa paixão que no peito tranca
Não pode com a mão tocar a bola branca
Invejo os astronautas
Eu, poeta, aqui tão distante
E eles, meros militares, lá em cima,
Nos braços da minha amante
Sou poeta da rua.
E nesse caminho estreito
Aprendi a andar, a cair, a levantar
E a ter respeito... Mas nunca temer!
É isso, senhores, o que eu tenho a lhes dizer
Agora, espero que me deixem
Continuar olhando o céu
Pois negro já nasce poeta
Mas também já nasce réu
- Ah, mas negro poeta
Isso é afronta! É passar demais da conta!

Meia-noite no gueto
Tem um preto morto na esquina
Os olhos abertos, o corpo ferido
O céu todo refletido no centro da retina
Não era ladrão, nem vendedor de cocaína
Era simplesmente um poeta
Sem escola, sem berço...
Um poeta de esquina.

Serginho Poeta

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publicado por Cavalo Alado às 02:00
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