Sexta-feira, 4 de Abril de 2008

PUCCINI-Madame Butterfly


Giacomo Puccini (Lucca, 22 de dezembro de 1858 — Bruxelas, 29 de novembro de 1924) foi um compositor italiano de óperas. Dentre os compositores com óperas mais populares, é o mais novo.

Assim como a família Bach, a família Puccini produziu músicos por várias gerações, especialmente músicos de igreja. Os seus antepassados foram organistas da igreja de São Martinho em Lucca, o cargo passou de pai para filho na família Puccini desde o século XVIII. Dizem que o seu pai, Michele, já estava à procura dos nomes femininos mais feios que pudesse encontrar: Puccini teve cinco irmãs que nasceram antes dele. Em 1858, contudo, o tão esperado filho homem nasceu, e foi batizado com o nome de Giacomo Antonio Domenico Michele Secondo Maria Puccini. Depois de Giacomo, a sua mãe Albina Magi deu à luz outro menino, que recebeu o nome de Michele.

Giacomo estudou órgão com o pai até que este morreu, em 1864, quando Puccini ainda não havia completado seis anos de idade. Para seguir a tradição secular da cidade de Lucca, o governo municipal decretou que Giacomo herdaria o cargo do pai, que foi desempenhado por diversos professores que repartiam com a viúva os modestos vencimentos anuais. Puccini continuou os seus estudos de órgão com o seu tio, Fortunato Magi, e com Carlo Angeloni. Aos dez anos de idade começou a cantar no coro da igreja. Puccini parecia destinado a seguir a tradição da família e ser um simples músico de igreja, até que um dia, em 1876, aos 18 anos, ouviu a Aida de Verdi, que despertou nele um tal fogo, uma tal paixão, que ele percebeu em si mesmo um instinto musical que levava naturalmente à composição de óperas. Conseguiu então uma bolsa de estudos da rainha Margherita e, com um pouco de ajuda financeira do tio, entrou para o Conservatório de Milão, onde foi aluno de Amilcare Ponchielli. Graduou-se em 1883 com o Capriccio Sinfonico, peça que parecia anunciar um compositor de sinfonias, tamanho o brilho de sua orquestração.

A sua primeira ópera, Le Villi, foi composta em 1883 para participar num concurso. Não ganhou o primeiro prémio, mas chamou a atenção de Giulio Ricordi, dono da Editora Musical Ricordi, que lhe encomendou uma segunda ópera, Edgar, que foi friamente recebida quando estreou no Teatro Scala de Milão na primavera de 1889. Essas duas primeiras óperas são as únicas de Puccini que são raramente encenadas hoje em dia.

Aua terceira ópera, Manon Lescaut, que estreou no Teatro Regio de Turim a 1 de fevereiro de 1893, foi um sucesso estrepitoso, apesar da ousadia de Puccini, que utilizou uma história sobre a qual o compositor francês Jules Massenet já havia composto uma ópera poucos anos antes e que se tinha tornado num sucesso internacional. O editor Giulio Ricordi tentou demovê-lo da idéia, obviamente arriscada, do ponto de vista financeiro, mas Puccini era teimoso. "Massenet trata a Manon como um francês, com minuetos e pó-de-arroz; eu vou tratá-la como um italiano, com paixão desesperada." "Por que não duas óperas? Uma mulher como Manon pode ter mais de um amante." E de fato, os instintos do compositor provaram-se acertados, embora haja quem prefira a Manon de Massenet, mais romântica e sentimental, à de Puccini, mais quente e sensual. Massenet chegou a mover uma ação na justiça contra Puccini, mas no fim ficou decidido que a ópera de Massenet se chamaria simplesmente Manon, enquanto que a de Puccini seria Manon Lescaut, para evitar confusão entre as duas.

A quarta ópera de Puccini, La Bohème, estreou também no Teatro Regio de Turim, em 1896, sob a regência de Arturo Toscanini, que se tornaria amigo de Puccini pelo resto da vida.

A quinta, Tosca, estreou em Roma, em 1900, e também causou sensação. Em 1905, Puccini visitou a Argentina. Um dos motivos dessa viagem pode ter sido investigar a morte do seu irmão, Michele, que ocorrera naquele país, anos antes, em circunstâncias até hoje não esclarecidas. Em 1907, viajou para os Estados Unidos, para a estreia americana da sua sexta ópera, Madama Butterfly, que se deu no Metropolitan Opera House de Nova York a 22 de fevereiro, com a presença do compositor.

A próxima ópera de Puccini, La Fanciulla del West, mostra influências de Debussy e Richard Strauss. Estreou no Metropolitan de Nova York em 1910, também sob a regência de Toscanini. Puccini estava em Nova York, na ocasião, numa segunda visita aos Estados Unidos, mas não compareceu à estreia.

Puccini comprou uma casa de campo em Torre del Lago, onde se instalou com a sua esposa, Elvira Gemignani, com quem se casara em 1904. A relação dos dois foi turbulenta. Ela era ciumenta e um pouco paranóica. Acusou a empregada dos Puccini, uma moça chamada Doria Manfredi, de manter relações íntimas com o compositor, e passou a infernizar a vida da pobre garota, que acabou por cometer suicídio em 1909, bebendo veneno na cozinha dos Puccini. Uma autópsia ao corpo da jovem mostrou que era virgem, provando assim a inocência de Puccini, mas a Senhora Puccini foi parar à cadeia e obrigada a pagar uma alta soma em indemnização à família da infeliz moça. Daria para compor uma ópera sobre essa tragédia pessoal, mas Puccini conteve-se.

Em 1924, foi diagnosticado com câncro na garganta de Puccini , e seguiu para Bruxelas para tratamento, onde morreu, a 29 de novembro do mesmo ano, deixando inacabada a sua última ópera, Turandot.

Madama Butterfly é uma ópera em três actos (originalmente em dois actos) de Giacomo Puccini, com libreto de Luigi Illica e Giuseppe Giacosa, baseado no drama de David Belasco, o qual por sua vez se baseia numa história escrita pelo advogado americano John Luther Long. Estreou no teatro Scala de Milão a 17 de fevereiro de 1904.

Sinopse

O Japão era um país quase totalmente isolado do resto do mundo, até que por volta de 1870 um presidente americano mandou uma expedição de reconhecimento a Sua Majestade Imperial, cujo intuito era forjar laços de amizade com o Império do Sol Nascente. Nas décadas que se seguiram, vários oficiais da marinha americana visitaram o Japão e contraíram matrimónios temporários com jovens japonesas. A história de Cio-Cio-San (Butterfly, ou Borboleta), portanto, baseia-se em factos reais, e descreve as trágicas consequências de um desses matrimónios contraídos com leviandade.

Acto 1

Benjamin Franklin Pinkerton, oficial da marinha dos Estados Unidos em Nagasaki, acaba de fazer um excelente negócio: comprou não somente uma casa na colina, com vista para o mar e o porto de Nagasaki, mas também leva de brinde uma gueixa, Cio-Cio-San, garota de apenas quinze anos de idade, que irá morar com ele na casa. Goro, o agente imobiliário e matrimonial, mostra a Pinkerton sua nova casa, quando chegam Suzuki, a sua nova serva, aia de Butterfly, e Sharpless, cônsul dos Estados Unidos em Nagasaki. Pinkerton oferece um uísque ao amigo, e explica-lhe o negócio que acaba de fazer. Sharpless adverte-o, porém, de que seria um grande pecado magoar os sentimentos da jovem, que parece acreditar na seriedade desse casamento e está perdidamente apaixonada por ele. Pinkerton, numa atitude discriminatória e ignorante, ergue um brinde ao dia em que se casará de verdade com uma esposa americana. Chega Butterfly com suas amigas, que cantam um hino à beleza da paisagem e à ternura das jovens do Japão, enquanto Cio-Cio-San canta seu amor por Pinkerton. Chegam convidados, os parentes todos de Butterfly, com exceção do tio, um monge budista que se opõe a esse casamento. Butterfly, porém, confessa que visitou a missão americana em Nagasaki e se converteu à religião de Pinkerton - prova da sinceridade dos seus sentimentos. A cerimônia de casamento de Butterfly e Pinkerton é interrompida pela chegada do tio bonzo, que ficou a saber que Butterfly havia renunciado à fé dos seus antepassados, e lança uma maldição contra ela. Butterfly chora, mas é consolada pelo marido. Os convidados retiram-se, e Butterfly e Pinkerton estão finalmente a sós. A noite cai. Segue-se um dueto de amor entre ambos.

"um belo dia veremos um fio de fumo no horizonte"

Acto 2

Pinkerton regressou aos Estados Unidos; prometeu, porém, que voltaria "quando os pintarroxos fizerem os seus ninhos." Já se passaram três anos. Butterfly chora, e Suzuki reza o tempo inteiro, ajoelhada diante da imagem do Buda. Suzuki diz a Butterfly que suspeita que seu marido não voltará mais. "Cala a boca, ou mato-te!", responde Butterfly. Ela chora, mas não perde a esperança: Un bel dì vedremo - um belo dia veremos um fio de fumo no horizonte - o navio de Pinkerton! Chega Sharpless, que traz uma carta de Pinkerton para Butterfly, cujo objetivo é prepará-la para o golpe que ela vai receber, ao saber que ele se casou com uma americana. Butterfly pergunta-lhe  quando fazem os seus ninhos na América os pintarroxos. "Não sei," responde Sharpless, "nunca estudei ornitologia." Logo depois chega Goro, trazendo um novo candidato à mão de Butterfly: o Príncipe Yamadori, homem rico e perdidamente apaixonado por Butterfly. Butterfly repele-o com zombarias, reafirma que está casada com Pinkerton, e manda o príncipe e o insolente nakodo embora de sua casa. Sharpless começa a ler a carta, mas não consegue terminar a leitura, porque Butterfly interrompe-o o tempo todo com manifestações de carinho e fidelidade ao marido, e ele também não tem coragem de lhe revelar a rude verdade. Num gesto brusco, ele fecha a carta, põe-a  de novo no bolso, e pergunta-lhe o que ela faria se ele não voltasse. Voltaria a ser gueixa, responde Butterfly; ou, melhor ainda - "me mataria." Sharpless pede-lhe que pare de alimentar ilusões e aceite a proposta do rico Yamadori. Sentindo-se ultrajada, Butterfly mostra-lhe o filho que teve com Pinkerton, cuja existência tanto o cônsul como Pinkerton ignoravam. Sharpless promete escrever a Pinkerton para lhe revelar a existência desse seu filho, e retira-se . Lá fora, Suzuki golpeia Goro, acusando-o de espalhar calúnias a respeito do filho de Butterfly, dizendo que ninguém sabe quem é o pai do garoto. Ouve-se um tiro de canhão vindo do porto. Um navio de guerra! Butterfly olha com os seus binóculos e lê o nome do navio: é o Abraham Lincoln, o navio de Pinkerton. Suzuki e Butterfly decoram a casa com flores primaveris, para aguardar a chegada de Pinkerton (Scuoti quella fronda di ciliegio, o famoso Dueto das Flores). Sem poder dormir, Butterfly esperará a noite toda pelo marido.

Acto 3

Butterfly, que não dormiu a noite inteira, canta uma cantiga de embalar ao filho, que adormece nos seus braços. Suzuki aconselha-a que durma também; quando Pinkerton chegar, ela virá despertá-la. Exausta, por fim cai no sono. Falta pouco para amanhecer quando batem à porta; Suzuki vai atender, são Sharpless e Pinkerton. Pinkerton, ao ver todas as flores e ao ouvir de Suzuki como Butterfly o esperou todos esses anos, é tomado de um súbito remorso. De repente, Suzuki nota uma mulher no jardim, e pergunta quem é ela. Sharpless não aguenta mais essa farsa e conta-lhe toda a verdade. Suzuki leva as mãos ao rosto e diz: "Santas almas! Para a pequena, o sol  apagou-se!" Sharpless pede a Suzuki que vá ao jardim falar com Kate Pinkerton. Enquanto isso, este último, possuído por um remorso avassalador, por fim reconhece que foi naquela casinha pequenina que ele conheceu a verdadeira felicidade (Addio, fiorito asil). Pinkerton sai a correr; não tem coragem de enfrentar a jovem cuja vida destruiu. Butterfly desperta e, ao sair do quarto onde estava a dormir, entra na sala e depara com Sharpless, Suzuki, e uma mulher estranha. Suzuki chora. Num átimo, Butterfly compreende tudo. "Não! Não me digam nada. Eu já sei. Aquela é a mulher de Pinkerton?" Kate pede a ela que lhe entregue o seu filho. "Serei como uma mãe para ele." Butterfly promete que o entregará dentro de meia hora. Sharpless e Kate se retiram, e Butterfly pede a Suzuki que vá buscar seu filho. Enquanto isso, ela retira de um baú um punhal, com o qual oseu pai havia cometido seppuku, também conhecido como hara-kiri, um suicídio ritual japonês, e lê a inscrição: "Com honra morre aquele que não mais com honra viver pode." Suzuki volta com o menino, e Butterfly pede-lhe que a deixe a sós com ele. Beija ternamente o seu filho, e pede-lhe que nunca se esqueça da sua mãe japonesa. Venda os olhos da criança, dá-lhe uns brinquedos para que brinque, e enfia a faca no ventre. É o fim.

A Nossa Opinião
Madame Buterfly não é apenas uma ópera romântica, a sua subtil mas profunda força critica, revela-se no evidente choque entre culturas e sensibilidades. A obra prima de Puccini, mostra-nos a frieza e simplicidade das relações humanas, emaranhando-se a trama (como nas nossas vidas) na dupla indecisão entre o certo e o errado, entre o calor do amor e a frieza e vazio de sentimentos emocionais. Dependendo da perspectiva em que nos colocamos, sentimos um misto de revolta e de compaixão. Revolta pela atitude, compaixão pela fragilidade das personagens, descaradamente representada em Pinkerton, ele talvez a maior vítima de si próprio. A nobreza do perdão de Kate e a coragem e defesa da honra própria de Cio-Cio-San a covardia de Pinkerton e a lealdade de Sharpless, vão constituir no final do terceiro acto toda a essência desta obra, causando-nos um turbilhão de emoções que nos poderão transportar para situações das nossas próprias vidas. Assim como nesta dramática obra, também nós somos confrontados regularmente com eses estados de actitude, mesmo até dentro do mundo do motociclismo. De facto existem diferênças, e todo o direito a elas, mas a VERDADE é apenas uma...
Alfredo Nobre, Responsável pelo Grupo Motociclista DOG
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publicado por Cavalo Alado às 22:53
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2 comentários:
De Luciana Bueno a 27 de Abril de 2009 às 17:34
Na síntese, dessa triste e linda história.... contata através da música é realmente a verdade. Em qualquer âmbito que estejamos, sempre que desmerecemos os sonhos alheios, seus ideais, suas convicções, seu círculo social..... acarreta, não somente àquele a quem ferimos, mas a nós mesmos um peso que o tempo jamais apaga.
Adorei encontrar a história aqui colocada, e seu ponto de vista.

Abraços e saudações do Brasil


De Cavalo Alado a 28 de Abril de 2009 às 16:41
Obrigado pelo enriquecedor comentário, Luciana. É de facto uma das obras que pessoalmente mais me toca, talvez pela similitude embora discreta com a condição de se ser motociclista . Sempre balançando entre dois mundos que se querem opor. Por um lado o amor, com a sua face mais violenta e cruel, por outro a realidade social que tende a envolver-nos e e conceptualizar as nossas opções mais livres, mais plenas e mais simples. Adoro sobretudo em Puccini esta capacidade para desmontar de forma neutral aquilo que parecem ser á primeira vista relações complexas e inquinadas em conceitos que não existem senão em nós próprios. Esta atitude, parece-me muito aproximada da postura da maior parte dos motociclistas que conheço ao desmontarem com naturalidade esses fantasmas que são nada mais nada menos que os nossos preconceitos.

Mande sempre noticias Luciana.


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