Terça-feira, 1 de Julho de 2008

UMA MOTOCICLETA DE VERDADE de Erín Mouré

 

Erín Mouré

 

 

Erin Moure é poeta e tradutora (do inglês para o francês, espanhol, galego e português) e vive em Montreal, Quebec. Publicou 12 livros de poesia; seu título mais recente chama-se Little Theatres ou Teatriños. Traduziu poemas da autora galega Chus Pato: Charenton (Shearsman, UK) e m-Talá (Salt, UK).
 
Pintura de Chris Kallas

 

UMA MOTOCICLETA DE VERDADE
 
   Indizível. A palavra que reveste o
   poema, que a cabeça
   tenta extrair.
   Às 6 h, o leão molhado. Sua face costurada de pelúcia
   sobre o trilho da varanda na chuva.
   Chuva pesada mais tarde, & talvez um temporal.
   12 ou 13 graus.
   Dentro: uma íris, vela, pôster de
   Artemis de muitos seios em um chapéu de pedra
   de Anatolia
   Uma guitarra de pequeno pedal de aço
   Uma fotografia dela em uma mesa ao lado do mar,
   seu ombro obstruído pelo gerânio vermelho.
   O mar que apesar de invisível pode ser farejado por um observador
   Inacreditável ar salgado
   na minha garganta quando a vejo.
   "Subitamente você descobre que vai passar sua vida inteira
   em desordem; é tudo que você tem; você deve aprender
   com ela."
   2
   Quatro tanques, & o corpo humano de camiseta branca
   parado em 5 de junho na Place Tian an Men.
   Ou "um pulôver vermelho de nylon”* Não resta muito tempo
   para dizer estas coisas. A urgência disto,
   desejo que tem atormentado o corpo o inverno inteiro
   & que mal tem partido,
   agora aguarda os lilases, seus pequenos ramos brancos.
   Alegremente.
   Como se seus ramalhetes fossem acender
    o velho curioso intencional hematoma.
    Adjetivo, adjetivo, adjetivo, substantivo!
    3
    Ou apenas, lua lilás.
    O que devemos, & não podemos, extrair da cabeça.
    Sua mão segurando, oh, The New Path to the Waterfall?
    Ou o momento que andei rápido demais, olhei para cima
    para seu torso sem camisa, sorrindo.
    Puxando ela na minha frente, tola!
    Sentando subitamente para eu fazer uma bainha...
    Beijando as costas da sua perna.
    4
    Na verdade o beijo na perna era um sonho, depois encenado
    nós rimos dele,
    por quê não fez isso
    ela disse
    quando pensou
   O pensamento coletável, mais tarde
   desejado ou
   necessário.
   Ou estremecido, em memória.
   Mais tarde, ele é repetido para as câmeras,
   com tal embaraço
   & agora, parado na cabeça.
   Como correndo a motocicleta com tudo nos fardos de feno.
   O que uma motocicleta está fazendo no poema
   A. disse.
   É uma imagem, E. disse de volta.
   É uma colisão na cabeça, ela disse.
   É uma motocicleta real.
 

A Real Motorcycle foi publicado em Sheepish Beauty, Civilian Love (Montreal: Véhicule, 1989).

 

Extraido de: http://www.revistazunai.com.br/traducoes/erin_moure.htm

 

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publicado por Cavalo Alado às 22:37
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