Segunda-feira, 7 de Julho de 2008

HARLEY DAVIDSON 5 Dos Anos 80 Ao Final do Milénio

No verão de 1980, Beals, um dos directores da empresa, desgostoso com os projectos da “AMF” para a AMF-Harley-Davidson, passou a empresa de 1/3 industrial, 2/3 lazer misto, para 50% industrial, 50% lazer. Esta foi uma estratégia arriscada, que fez com que a “AMF” se convencesse a vender a empresa. Em junho de 1981, Beals e outros 12 executivos (incluindo William G. Davidson, neto de William ª Davidson), se tornaram os proprietários da Harley-Davidson. A frase “The eagle soars alone” (A águia voa sozinha) popularizava-se. Imediatamente, os novos proprietários da empresa implementaram novos métodos de produção e gestão de qualidade na produção das motocicletas da marca.No primeiro ano da nova administração, a empresa perdeu US$32 milhões.

Em 1982, a Harley-Davidson solicitou ao governo federal dos Estados Unidos a criação de uma tarifa de importação para motos com motores acima de 700 cc, com o objetivo de conter a verdadeira “invasão” de motocicletas japonesas no mercado norte-americano. O pedido foi atendido. No entanto, cinco anos depois, a empresa surpreendeu o mercado. Confiante na sua capacidade de competir com as motocicletas estrangeiras, a Harley-Davidson solicitou novamente ao governo federal que retirasse a tarifa de importação das motos importadas um ano antes do que estava programado.

Foi uma medida absolutamente inédita no país até então. A repercussão deste acto foi tão forte que levou o presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, a realizar um tour pelas instalações da marca e declarar publicamente que era um fã da Harley-Davidson. Foi o suficiente para dar novo fôlego à marca.

As coisas começaram a melhorar em 1983, com um pequeno aumento nos lucros, o futuro se mostrava cada vez melhor. Os novos proprietários ainda passaram por algumas fases difíceis. Após tantas dificuldades, a diretoria da empresa voltou-se para fábrica de York, Pensilvânia, onde, após os próprios funcionários receberam opções de compra de ações da empresa e estarem produzindo melhor, a diretoria deu a eles o poder de decisão para fechar uma linha de produção, se esta estivesse provocando defeitos nas motos.
Antes disso, porém, em 1983, foi criado o Harley Owners Group (H.O.G.), grupo de proprietários de motocicletas da marca que reúne atualmente cerca de 750 mil associados em todo o mundo. É o maior clube deste tipo do mercado de duas rodas do planeta. uma instituição que patrocina ralis, organiza eventos e mantém os donos de Harleys em contato com a companhia e uns com os outros. No primeiro rali organizado pelo HOG, em 1984, estiveram presentes apenas 28 pessoas. Hoje são 365 mil. A fundação do HOG ajudou à regeneração da empresa, permitindo-lhe manter-se como marca que perdura e perdurará.
No ano seguinte, foi apresentado o novo motor Evolution V-Twin, com 1.340 cc, que exigiu sete anos de pesquisa e desenvolvimento dos engenheiros da Harley-Davidson.

EVOLUTION

Evolution_1984-1999

Este propulsor equiparia cinco motocicletas da marca já naquele ano, incluindo a novíssima Softail – outra legenda da marca. O lançamento ajudou a empresa a aumentar ainda mais as suas vendas. Como conseqüência, em 1986, as ações da Harley-Davidson entraram para a Bolsa de Valores de New York – a primeira vez desde 1969, quando havia acontecido a fusão entre a Harley-Davidson e a AMF.

As Maquinas de Recorde

Sempre mais depressa. Esta poderia ser a divisa de todos os loucos por motos. Uma simples estrada, bordejada de árvores, que hoje é considerada muito perigosa, foi o local dos primeiros bancos de ensaio em “tamanho natural” daqueles que sonhavam ultrapassar os 100 km/h. Depois dos lagos gelados, as superfícies de sal e outros desertos rectilíneos, aqui mais perto de nós foi o célebre circuito de Nardo, no Sul da Itália, que serviu de base de lançamento para números que fazem sonhar. Muito recentemente, em 1990, apenas a Honda e a Harley-Davidson se lançaram ao assalto dessas loucuras. Mas são os japoneses, com a revolucionária Honda NR de 750 cm³ com pistões ovais e oito válvulas por cilindro desenvolvendo 155 cv confiada ao italiano Loris Capirossi, que continuam a ser os mais rápidos, atingindo os 299,825 km/h numa máquina de série. Pequena série, é certo mas mesmo assim série.

Ao mesmo tempo, do outro lado do Atlântico, David Campos, um pioneiro do género, decide por seu turno, com uma moto cem por cento americana atacar a barreira dos 700 km/h. Para financiar a sua empresa, a revista californiana EasyRiders, fez apelo à generosidade dos seus leitores. Resultado mais que ocludente e espantoso: a fuselagem do seu Streamliner tinha inscritos todos os nomes dos generosos doadores. Sob a fuselagem foram instalados dois motores V-twin, claro, derivados do 1340 Softail rectificados para 3 litros, a sua injecção composta de uma mistura de metanol e nitrometano era aspirada por dois turbo compressores. A 14 de Julho de 1990, esta máquina no lago salgado de Bonneville, com uma temperatura de 35 ºC preparava para vibrar com o sopro do obus de alumínio. Resultado: 515,121 km/h. Um mês depois, a 19 de Agosto, David Campos repetiu a experiência com o acelerador a fundo. O ponteiro do conta-quilómetros era formal: 518,449 km/h na milha lançada. Embora os 700 km/h ainda estivessem longe, o recorde de Donald Vesco fora batido (512,733 km/h em 28 de Agosto de 1978).

Mas não era efectivamente uma estreia. Em 1969, Dick O`Brien, chefe de equipe da Harley-Davidson, desejava veementemente opor-se à hegemonia crescente dos caçadores de recordes nipónicos. Deste modo, Calvin Rayborn, o piloto da casa, viu-se incumbido de missão de se opor, em Setembro de 1970, à corrida contra o tempo. A bordo de uma maquina diabólica, atarracada à pressa em vez de ser preparada com cuidado, o piloto americano balbuciava e sofria. Depois de quatro dias de hesitações, roçou uma primeira vez a catástrofe quando sofreu um acidente a 320 km/h. Não se desencorajou por isso, e infelizmente teimou em repetir a experiência e perto dos 430 km/h o V2 definitivamente explodir.

Em 1991, foi introduzida a família Dyna com o modelo FXDB Sturgis.
 
Harley Davidson  Dyna FXDB Sturgis 1991
Dois anos mais tarde, perto de 100 mil motociclistas participaram da festa de 90 anos da marca, em Milwaukee.

Em 1995, a Harley-Davidson introduziu a clássica FLHR Road King. O modelo Ultra Classic Electra Glide, ao comemorar seus 30 anos de existência, ainda em 1995, tornou-se a primeira motocicleta da marca a contar com injeção eletrônica seqüencial de combustível.


Em 1998, a Harley-Davidson adquiriu a Buell Motorcycle Company, abriu uma nova fábrica de motores fora de Milwaukee, na cidade de Menomonee Falls, em Wisconsin, e construiu uma nova linha de montagem em Kansas City, no Missouri. No mesmo ano, a empresa comemorou em Milwaukee seu aniversário de 95 anos, com a presença de mais de 140 mil fãs da marca na cidade.

       

 

Marketing Radical


No dia três de Junho de 1998, uma trovoada imensa partia de um conjunto que lançava um brilho ofuscante de cromados obscurecido por uma amálgama de blusões pretos. Eram 50 mil membros do clube de donos de Harleys no desfile de celebração do 95.º aniversário da companhia. Este é apenas um exemplo de que, se o marketing radical se trata da criação de uma comunidade que se une em volta de uma marca, deve haver poucos casos como o da Harley-Davidson.

 

Foi também no final de 1998 que a Harley-Davidson inaugurou sua fábrica em Manaus, no Brasil. Até hoje, é a única linha de montagem da marca instalada fora dos Estados Unidos. Nesta unidade, são montados, actualmente, os modelos Softail FX, Softail Deuce, Fat Boy, Heritage Classic, Road King Classic e Ultra Electra Glide. A nova Road King Custom começa a ser montada nesta unidade em novembro.

Em 1999, chegou ao mercado o novíssimo propulsor Twin Cam 88 nas linhas Dyna e Touring. Em 2001, a Harley-Davidson apresentava ao mundo um modelo revolucionário: a V-Rod. Além do design futurístico, o modelo foi o primeiro da história da marca norte-americana a ser equipado com motor refrigerado a água.
TWIN CAM 88

Twin_Cam_88_1999-2006

NÃO PERCA AMANHÃ A CONTINUAÇÃO
DA HISTÓRIA DA HARLEY DAVIDSON

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publicado por Cavalo Alado às 01:49
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