Quarta-feira, 9 de Julho de 2008

ETERNIDADE

 

Por: Alfredo Nobre

 

Foto Nobilis007 (Zé Luis DOG 007) Todos os direitos reservados  

 

http://www.flickr.com/photos/nobilis007/

 

ETERNIDADE

Conflito de Gerações ou Conflito Interno?

 

As nossas atitudes pessoais reflectem obviamente aquilo que somos, sentimos, pensamos e tudo aquilo que nos influenciou durante o período de vida que temos. É normal olharmos para qualquer criança e vermos nela uma inocência invejável, que sem querer acabamos por admitir que já não possuímos. Ao observarmos um adolescente reparamos na sua fragilidade emocional, apontada para a busca do risco, da afirmação dos valores, da necessidade de se sentir integrado e aceite num mundo onde até ai sempre o rejeitaram. E nisso custa-nos admitir, aceitar, receber aquilo que também já fomos, quem sabe na pior versão de nós mesmos. É exactamente nesta altura que se dá o tão chamado “Conflito de Gerações”. Ora está fácil de entender, para que tal conflito exista terão que existir duas gerações, a dos Adolescentes (chamemos-lhe assim) e a dos Adultos. Nós que nos consideramos Adultos, estamos sempre dispostos a avaliar de pé atrás as atitudes dos mais jovens. As suas posturas, os seus pensamentos, as suas ideias os seus gostos. Talvez por preguiça ou por tacanhez ou quem sabe por vergonha ridícula de não aceitar que já se passou pelo mesmo estágio de vida, evitamos colaborar nesse processo de crescimento e ficamos a fazer de nós mais velhos do que aquilo que somos só porque acabámos por perceber na vida que a velhice tem mais poder e dá jeito…
Então tudo nos começa a parecer confuso e inaceitável sobretudo quando vem daqueles que mais necessitam do nosso estímulo e não da nossa reprovação.
Tenho no mundo das Motos conhecido gente fantástica de todas as gerações. Aprendi muito sobre motos mas também sobre a vida com todos eles. Fico feliz quando encontro gente mais idosa do que eu e que tem a amabilidade, não de me contar tretas e enfiar barretes, mas de me transmitir algo que não conheço, que não vivi, que não sabia. Fico também feliz em poder repassar isso tudo aos mais novos do que eu. Mas fico muito mais feliz quando aprendo algo de positivo com gente que tem às vezes metade da minha idade e a minha alegria aumenta se isso mesmo puder vir a ser útil através de mim a outros com o dobro da minha.
Quer tudo isto dizer, parece-me a mim, que na vida como em tudo, mais do que preocuparmo-nos em apontar as borradas dos outros, e ir aceitando muros geracionais em volta dos outros que por vezes só a nós nos isolam, melhor seria estarmos atentos aos nossos próprios deslizes, embora sabendo por experiência própria de 38 anos de vida que nem sempre é fácil reconhecer as nossas limitações, falhas e defeitos.
Assim, proponho e proponho-me a mim próprio, da próxima vez que encontre um jovem adolescente a fazer uma daquelas rateradas incomodativas à orelha sensível, em vez de aqui vir dizer mal dele ou do sitio onde o ofensivo cavalinho ou rater foi cometido, talvez tentar explicar os prejuízos que isso traz, à moto, aos outros, às organizações, mas acima de tudo, mesmo, mesmo, mesmo, a alguns mais velhotes da orelha sensível que já não conseguem suportar ruídos nem já possuem capacidades para agirem de forma pedagógica ou lúcida, talvez porque passaram, como dizem, uma vida inteira a tentar mudar o mundo, mas apenas falharam porque não se conseguiram NUNCA, mudar a si mesmos, mostrar-lhes o quanto às vezes são tanto ou mais infantis ao tentarem enfantilizar os outros.
 
Uma boa quarta-feira para todos lol!
sobretudo aos adolescentes (como eu já fui) que andam de moto.
 
Alfredo Nobre membro DOG 003

 

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publicado por Cavalo Alado às 00:50
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