Quarta-feira, 22 de Outubro de 2008

EVENTOS...

 

Por: Alfredo Nobre

 

 

 

 

Actualmente proliferam os eventos motociclistas um pouco por todo o país. Já raro é o fim-de-semana em que não damos conta de pelo menos dois a três deles, e reparem que estamos já em finais de Outubro. Esta abundância leva-me a pensar em qual será a verdadeira razão para um moto clube ou grupo motard realizar um evento.
Simples lucro? Motivos político-ideológicos? Demonstração de poder e capacidade? Ou simplesmente Amor pelo Motociclismo?
Claro que em muitos dos casos é inegável a ligação e porque não dizer a dependência que muitos clubes mantêm com as respectivas autarquias. De certo modo e se quisermos “futebolizar” o Motociclismo, esta promiscuidade pode trazer os seus benefícios, o problema é que raramente isso acontece, parece-nos…
Actualmente derivado das crescentes dificuldades financeiras que a todos atinge, a grande “moda” é por um porco a rodar sobre as brasas ou cozer uma panela de feijão e pimba! Está feita uma concentração a partir de coisa alguma. A antiga preocupação em receber os companheiros, envolvê-los e dar a conhecer aquilo que a localidade anfitriã tem de melhor desvaneceu-se por completo. A preocupação em criar as melhores condições para instalar os motociclistas passou para segundo plano. Aconselham-se pensões e residenciais de forma mais ou menos explicita e quando ainda existe espaço para colocar uma tenda, nem é bom falar das condições do terreno disponibilizado, em muitos casos sanitários são uma miragem…
Então se a finalidade de um evento começa a deixar de ser a de reunir amigos e de bem os receber, qual passou então a ser o motivo porque se fazem tantos encontros? Muitos deixaram de acreditar nas Mega-Concentrações, repletas de bons programas e condições de nível superior porque, dizem, se perdeu o espírito de camaradagem entre os motociclistas.
Noutros casos de menor dimensão, somos levados a voltar no ano seguinte, a maior parte dos companheiros a quem perguntei o porquê responderam eu era pela recepção que tinham tido no ano anterior, sobre as refeições? raros eram aqueles que se lembravam do cardápio.
Os Aniversários de moto clubes começam a ser eventos com grande grau de sucesso. Mais pequenos e íntimos permitem um acolhimento mais afectuoso por parte dos organizadores. Em muitos dos casos a colaboração de clubes próximos ou mesmo da mesma localidade permitem um melhor desenrolar do evento, e penso que este tipo de parecerias pode perfeitamente vir a evoluir para a realização de Concentrações de maior dimensão.
Que sentido faz ir três vezes durante o mesmo ano à mesma localidade apenas porque ai existem três moto clubes? Creio que nestes casos a maior parte dos motociclistas decide não ir a nenhum para não desagradar a ninguém. A desculpa é fácil, casa-se estrategicamente um primo afastado e com muita pena torna-se completamente impossível estar presente. O problema é que não há primos que cheguem para meia dúzia de anos de eventos e baptizados não dão boas desculpas…
Para a realização de qualquer evento, não nos podemos esquecer que é fundamental a existência de verbas, fundos, graveto, money, Dinheiro!!! Ora muitos grupos não possuem o dinheiro necessário para rechear um programa da forma com que possam agradar aos companheiros que se recebem. Nestes casos muitas das vezes impera o calor com que se recebe e esse apenas se obtém através da paixão que se tem ou não pelo motociclismo, não há forma de se adquirir em loja alguma.
Os grupos que mais rolam têm garantida a presença de mais companheiros, a questão aqui é saber se isso realmente basta ou não é motivo para que arrefeça a dedicação com que se recebem os amigos.
A realização de um evento não pode ter como único objectivo a divulgação de um ou até outro moto clube. A mera obtenção de lucro pode ser o principio do fim e são já significativos os exemplos disso, para que se continue a insistir na mesma tecla. Por uma ou duas vezes pode até o esquema pegar, mas a partir dai é quase garantido o Hara kiri, se existia algum intento em prestigiar também o ou os grupos envolvidos esqueçam porque no final tudo ruiu. A questão da forma como a organização do evento age e inter-age com os visitantes também é fundamental, chegando a verificar que em muitos eventos nem sequer alguns membros do clube organizador estão à vontade no evento, já para não falar no cúmulo de se ter dado já o caso de durante um evento metade dos membros do moto clube organizador não poderem estar presentes porque estavam a participar na cerimónia de casamento de um membro do mesmo clube…
Em muitos casos a recepção também varia em função da porta de entrada, isto é dá-se toda a atenção a um ou dois grupos porque marcaram presença em massa, ignorando-se outros que apesar de mais pequenos rodam mais, levando a sua opinião a mais lugares, condicionando assim inevitavelmente a promoção do evento onde estiveram antes.
A questão da moralização, pedagogia, estabelecimento ou direi antes manutenção de regras de boa conduta cívica, parecem-me fundamentais. Um simples mau comportamento de apenas um elemento já afastou dezenas de motociclistas deste ou daquele evento. Isto sem prejuízo da “balda” ser contagiante e poder inclusive afectar qualquer um de nós.
Seria muito mais produtivo para todos os organizadores, penso, apostarem na real recepção dos companheiros com qualidade e sem descriminação. Esta será a melhor aposta em termos de divulgação. A outra hipótese, infelizmente já adoptada por muitos, é virar o evento para a população em geral, fornecendo actividades e espectáculos para o povo, transformando uma concentração em mais um arraial lá da terra, o resultado final será exactamente aquilo que se semeou… um arraial sem motos nem motociclistas. Se os bons motociclistas, aqueles que mantêm o mundo dos eventos em forma e que percorrem o país várias vezes ao ano forem bem recebidos, certamente regressam no ano seguinte e trazem até mais amigos consigo. Em suma, pencas empinadas e atitudes de arrogância ou superioridade não levam a nada e além de destruírem ambientes, mais tarde ou mais cedo darão cabo dos seus mentores. Mais do que nunca é necessário bom senso e objectividade por parte de cada um na escolha dos sítios onde se vai ou deixa de ir. Quanto a mim, irei sempre a certos lugares, a outros talvez, a outros, ainda,… nunca mais!!!

 

Uma boa quarta feira para todos
 
Alfredo Nobre, membro DOG 003

 

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publicado por Cavalo Alado às 00:48
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