Quinta-feira, 7 de Julho de 2011

O FACTOR H

 

Por: Alfredo Nobre

 

 

Recentemente, por ocasião da concentração comemorativa do 25º aniversário do Motoclube da Guarda, a cuja organização desde já apresento os meus parabéns, pela qualidade com que concretizaram um evento tendo em conta as limitações que exige o momento que o país atravessa, dirigiu-se a mim um companheiro que de forma muito directa e espontânea como se deseja, questionou: “O que é necessário para me tornar membro do Cavalo Alado?”

Talvez por saber as normas que o grupo a que pertenço impõe, preferindo a qualidade e coesão do mesmo em detrimento de um elevado número de elementos, fiquei, admito, um tanto ao quanto surpreendido, por pressupor que ao tempo que estamos no motociclismo, era já um dado adquirido toda a gente saber qual a nossa postura, princípios, e forma de organização. Na verdade parece que assim não é, e temos que admitir que é mais nosso dever continuar a insistir na forma como vemos as motos, do que esperar que toda a gente saiba de antemão aquilo que se passa cá por casa.

Sendo assim, tratei de explicar da forma mais simples possivél ao nosso curioso companheiro que “para se ser membro do Cavalo Alado é apenas necessário cumprir com duas condições indispensáveis; gostar muito de motos, mas acima de tudo gostar muito mais de pessoas”.

Confesso que eu mesmo fiquei, e perdoem desde já a prosápia, um pouco surpreendido com esta resposta, por ter sido dada de forma espontânea e natural, tentando sintetizar ao máximo aquilo que tem sido até hoje a nossa linha condutora.

Na realidade, ao longo da existência deste grupo mais do distrairmo-nos com questões exclusivamente ligadas às máquinas, tentámo-nos sempre preocupar com a forma como os grandes personagens deste meio (as pessoas) interagem e se relacionam entre si. Assim, tem sido curioso verificar que numa área tão vasta que abrange desde os fabricantes, aos desportistas, passando pelos utilizadores independentes e pelos tantos e tão variados clubes e associações, até aos pilotos e equipas de competição, encontramos diferenças estruturais que quase nos levam a pensar que estamos a olhar para mundos completamente diferentes e radicalmente distantes entre si. De facto assim é a este nível, dificilmente podemos encontrar alguma semelhança entre - a título de exemplo –o Indian Clube de Portugal, e o Cavalo Alado, ou se quisermos entre o motoclube de Vila do Conde e a equipa oficial de Motocross da KTM. Contudo após uma observação mais profunda verificamos que as diferenças, que no inicio nos pareciam barreiras intransponíveis, vão-se revelando mais suaves e possíveis de ultrapassar, permitindo que instituições tão diferentes se possam relacionar e nalguns casos exemplares poderem construir algo de benéfico para o motociclismoem geral. Quemnunca viu o Vespa Clube de Lisboa (que aproveitamos para saudar) colaborar com o motoclube de Faro na maior concentração feita em Portugal?

Este tipo de relacionamentos que à primeira vista parecem impossíveis, apenas acontecem porque um factor interferiu acima da identidade que a instituição possa ter, e é ele o factor humano!

Encontramos junto das mais distintas agremiações ligadas às motos individuos que por comungarem entre si de principios sólidos e eternos, conseguem ter presente o sentido de universalidade e intemporalidade que caracteriza intrinsecamente o motociclismo. Por experiência própria posso afirmar que as qualidades de muitos companheiros paira acima da média e muitas vezes da mediocridade que alguns fazem questão de manter. Contudo, também posso tristemente afirmar que essas almas mediocres são também aquelas que mais insistem em apontar dedos a quem se dedica de coração a esta causa, quantas vezes deixando para trás o seu trabalho, a sua família, as suas carreiras e mordomias sociais, para se dedicarem aos seus clubes e aos outros motociclistas que deles necessitam. A razão para tanta disparidade ao nível dos sentimentos só a posso explicar de uma forma; enquantos uns baseiam a sua actividade no FACTOR C, outros preferem o FACTOR H…

 

Boas curvas para todos

 

Alfredo Nobre

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publicado por Cavalo Alado às 00:07
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