Sexta-feira, 7 de Setembro de 2007

AO MEU AMIGO FRANCISCO FRADE

000cc2hp
I
IRMÂO DOG CONCERTEZA
 
Lembras-te dos tempos em que não sentíamos o vento?
Em que as flores eram apenas coisas para pisar?
Lembras-te desses dias em que o riso era uma constante
E quando nos diziam que o tempo existia, duvidávamos?
 
Lembras quando um abraço era apenas isso
E uma mão apertada chegava a doer?
 
Lembras aquelas horas longas de conversas em que não dizíamos nada?
E de quando falávamos era de projectos loucos e sem pressas…
 
Lembras-te do canteiro onde tínhamos essas conversas?
E do sol da meia-noite a cair sobre nós?
De quando saltávamos uma muralha sobre um rio,
E o nosso hino era apenas um assobio?
 
Das viagens que fazíamos num vão de escada,
De uma pirisca mal acabada
E de quando tudo já sabia a nada…
 
Lembras aqueles segredos partilhados,
Aquelas loucuras anunciadas
E sempre dizíamos que não era nada…
 
Lembras quando me dizias que nunca me calava?
Que as horas eram poucas mas chegavam?
 
Quando os gritos não eram uma ameaça,
Quando acreditávamos na raça,
E na coragem dentro de uma Praça?
 
Lembras quando ria do que dizias?
E fazia isso todos os dias,
Lembras do dia em que partimos?
Para pólos opostos onde conseguimos
Dar de caras com esses medos
De viver a vida com segredos mal contidos
Sermos nós sem sermos seguidos
 
De voltarmos ao mesmo cais
Desejando muito mais
 
É por isso que te digo
Nunca me calarei meu amigo!!
 
Porque dentro de nós nada mudou
Nada acabou…
Continuamos a duvidar que as horas têm o seu lugar
E que o tempo é apenas a vontade de continuar,
 
E esse canteiro ainda lá está à nossa espera até um dia…
 
 
 
Alfredo Nobre,Sabugal, 14 de Agosto de 2007
tags:

publicado por Cavalo Alado às 18:50
link do post | comentar | favorito

Abril 2013

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28
29
30