Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2007

Herois e Teórias...

000hebfa

Estava eu a visitar o perfil de um tipo no Hi5, porque o Hi5 é para isso mesmo, para que os perfis de cada um sejam visitados por qualquer outro. Quem não quiser ter o seu perfil visitado por desconhecidos, tire-o de lá…

Como ia dizendo, estava eu a ver o perfil do tal tipo “motociclista” e entendi a que nível uma pessoa pode tornar-se radical por coisas tão tremendamente idiotas neste nosso meio.

O indivíduo acha que só existe um tipo de motos: a que ele tem. Acha que só existe uma forma de viver: a dele. O tipo acha que só andar de moto e quase dormir com ela é que está correcto. Ou seja, nada daquilo que uma pessoa normal faz é aceitável, apenas o que ele faz. A começar pelo perfil, onde, afirma, se não vivermos e morrermos pela moto (e na moto), não somos dignos de frequentar ou pilotar na mesma estrada que ele. Por outras palavras acha-se uma dádiva de Deus e um exemplo para o mundo…Por quem??

Eu sou radical em muitos aspectos, quando se trata de carácter, de ética, daquilo que é certo e do que está errado, mas percebi que essa neurose que se vem instalando em certos motociclistas é próxima daquela dos radicais religiosos. E pior, pode deflagrar o mesmo ódio, a mesma violência.

E é o que vemos algumas vezes. O radicalismo exacerbado em combinação com bebidas ou drogas explodindo em actos de violência, causando ferimentos e por vezes, até mortes.

E ao visualizarmos o acontecimento como um todo, fica a impressão da falta de valor da vida humana, quando um motociclista coloca em jogo a própria existência ou a de outrem, apenas porque os tipos de scooters são diferentes. Ou sobre a filosofia que defendem. Ou sobre a marca de cerveja, ou sobre as quilometragens que se atingem.

Se analisarmos isto, mesmo sob a visão de um leigo (não sou sociólogo ou psicólogo, nem tenho “carta” para me arvorar em filósofo de alpendre…), parece claro que a motivação não é nenhuma além da simples necessidade de criar atritos ou confusões. É claro que isto torna-se mais fácil (principalmente para os cobardes) quando se esta junto com outros tantos igualmente cobardes, mas que se tornam “bravos e heróicos” em virtude do número de envolvidos. Como todo o extremista, diga-se de passagem.

Não existe algo de terrorista nisto? Pensem bem: um terrorista só mostra o seu rosto verdadeiro quando esta rodeado de outros terroristas. Quando não, quando age sozinho, fá-lo de forma cobarde, como por exemplo, ao detonar uma bomba no meio de inocentes ou, fazendo sofrer inocentes. Batendo e fugindo.

Em Portugal, existem radicais em grupos organizados. Já criaram uma lista onde alguns que têm a coragem de se lhes opor são humilhados, difamados e ameaçados inclusivamente de morte.

Existem radicais em organizações de motociclistas. Também pretendem mudar o mundo servindo-se do terrorismo, sem descurarem uma das piores armas, a mentira e a falsidade. A intolerância seria bem usada se tivesse como alvo a busca do bem comum. Não aceitarmos a impunidade, a corrupção, a incongruência, a perda dos valores familiares e sociais, isso sim, deveria ser alvo de intolerância. Mas os nossos “heróis” preocupam-se com a marca da moto, quantos quilometros fazem, os sitios onde estiveram, onde enchem a mula melhor e a mais baixo preço...e morrem-se por isso. E acham-se, como diz uma companheira nossa “a última bolachinha recheada do pacote”. Não ha pachorra!!

Herois do car….o!!!

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publicado por Cavalo Alado às 00:23
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